Há entre eles honrosas excepções, mas os italianos foram pioneiros e mantêm-se como grandes mestres da estratégia defensiva, do cinismo, do futebol maravilhosamente táctico para quem gosta de comparar o jogo a xadrez e infinitamente aborrecido para os restantes. Estão contudo longe, nos dias que correm, de ser únicos, e já nem sequer aparecem nas meias-finais da Liga dos Campeões.
O Chelsea é, desde os tempos de Mourinho, um dos paradigmas desse futebol interesseiro e resultadista. De vez em quando mascara-se de espectacular, porque tal como o dos italianos de topo é interpretado por grandes jogadores. Mas nas horas da verdade revela-se na sua plenitude. Uma delas foi em Barcelona. Frente à melhor equipa mundial do momento, os ingleses retraíram-se como ratos, arrancaram um empate a zero e, num fogacho, até podiam ter conseguido a vitória. Pronto, é verdade que o Bayern tinha apanhado quatro em Camp Nou e o Real Madrid, logo a seguir, foi atropelado por 6-2 perante o fabuloso Barça. O Chelsea até pode, porque há na equipa valor para isso, bater os catalães na segunda mão e chegar à final.
Será eterna, e com tendência a agudizar-se, a luta de argumentos entre os defensores do futebol-espectáculo e os pragmáticos do meio a zero. Estes ganham muitas vezes, mas aqueles, quando ganham - quando desamarram os espartilhos à custa de talento e gosto pelo jogo - deixam-nos em paz com o futebol. É seguramente pelo que oferece o Barcelona que muitos milhões assistirão pela TV à segunda mão da meia-final. E a maioria, razões do coração à parte, torcerá para poder ver uma final com a melhor, mais bonita e mais entusiasmante equipa da actualidade.




Rating: 0.0
Actividade em ionline