PSD
Armando Vara e Penedos deviam sair pelo próprio pé
por Gonçalo Venâncio, Publicado em 02 de Novembro de 2009
O desejado para líder do PSD acabou com o silêncio da oposição no caso da sucata: Vara e Penedos devem sair
No que toca a comentários sobre a operação "Face Oculta", Marcelo está de acordo com Jerónimo de Sousa: tem de ser colocado um ponto final no sentimento de impunidade. Esperando pelo que a justiça vai ditar durante a próxima semana, Marcelo assumiu que tanto Armando Vara como José Penedos devem abandonar os cargos que ocupam se forem constituídos arguidos: "As pessoas que forem constituídas arguidas devem sair pelo próprio pé." Referindo-se ao mesmo caso, Marcelo observou que "os padrões éticos têm baixado muito nos últimos tempos."
Daí para a política, Marcelo garante não ver "nenhuma razão para alterar o que disse há duas semanas." Ou seja, nas condições actuais, não vai à luta. Nem se Passos Coelho se retirar da corrida? "Se a minha avó tivesse rodas era um autocarro" brincou. Já mais a sério, reconheceu que os barões optaram pela "luta de facções" e essa é uma tendência "irreversível". Isto é um "não" de Marcelo a uma candidatura contra Passos Coelho? Para o cidadão incauto, sim. Para o PSD perito em Marcelo e apoiante do professor é um "não" que se pode transformar ainda num "sim": como é duvidoso que seja este o tempo ideal para Marcelo anunciar a sua candidatura, alguma "análise política" vinda de dentro do PSD não vê no "não" uma desistência, mas o adiamento de uma decisão.
Só que os ziguezagues de Marcelo estão a deixar boa parte do PSD barrosista e ferreirista à beira de um ataque de nervos. O problema é que, caso Marcelo acabe por não avançar, começa a ser muito tarde para que qualquer outro candidato daquela ala se imponha. Segundo alguns destes sociais-democratas, os "nins" de Marcelo podem comprometer o sucesso de outro, enquanto ao mesmo tempo Passos Coelho é deixado sozinho no terreno. E se, à última hora, Marcelo decidir mesmo não avançar, pode vir a consumar-se aquilo que é visto como uma "tragédia" para os sociais-democratas que apoiaram Ferreira Leite e Durão Barroso: Passos Coelho poderá ter uma vitória fácil.
É este "problema" que está na origem de algumas das tentativas, feitas na semana passada, com o objectivo de tentar criar uma "vaga de fundo" favorável à candidatura marcelista. Mas Marcelo garante que não gostou da ideia. No diagnóstico à política doméstica, o professor reconheceu que a semana que passou "foi pouco feliz para o PSD" porque todos os objectivos que presidiram ao adiamento das directas não foram cumpridos. Não houve debate de ideias, não houve oposição ao governo, não houve unidade de objectivos. Houve, e muita, discussão de nomes. "Continuei a assistir a uma luta de facções, entre a ala de Manuela Ferreira Leite e a ala de Pedro Passos Coelho." Motivos suficientes para não fazer Cristo descer à terra?
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