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José Manuel Fernandes garante nunca ter travado independência do Público

Publicado em 30 de Outubro de 2009   
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O director do Público, José Manuel Fernandes, que cessa funções sábado, defende que as suas posições ideológicas nunca afectaram a independência do jornal e rejeita a imagem de feroz crítico do governo de José Sócrates. “As minhas opiniões são as minhas opiniões, nunca as impus a ninguém no Público. Sou livre de as ter e expor, de me dar a mesma liberdade que todos quantos escrevem no Público sabem existir no jornal”, disse Fernandes, em entrevista à Lusa, sobre posições que tomou acerca da invasão do Iraque ou de críticas cerradas que fez ao governo socialista.

Para o jornalista, que ocupa a cadeira de director do Público há 11 anos, “quem gosta de debater ideias, quem aprecia viver numa sociedade onde não reina o ‘pensamento único’, só pode valorizar um jornal onde a opinião não contamina a independência da informação, onde o director não condiciona os jornalistas, antes lhes exige rigor, onde se encontram posições contrastantes”.

José Manuel Fernandes contesta uma reputação de crítico feroz das políticas do primeiro-ministro afirmando que se trata de “um mito fabricado por certos propagandistas que não resiste à prova dos factos e à consulta dos arquivos”.

“Apoiei, por exemplo, as medidas de correcção do défice orçamental, sobretudo as mais duras, as primeiras, as tomadas ainda por Campos e Cunha”, acrescentou.

Mesmo assim aponta “uma grande incapacidade deste primeiro-ministro para considerar as críticas como naturais numa democracia plural onde os órgãos de informação devem questionar e sindicar as decisões do poder, como sucede em todas as democracias evoluídas”.

O director do Público aceita que as opiniões que exprimiu ao longo dos anos nos editoriais possam ter afastado alguns leitores, mas considera que também “podem ter trazido outros”.

“Em todos os estudos que fazemos regularmente sobre a imagem do jornal, a sua independência surge sempre entre as qualidades que os nossos leitores mais apreciam”, disse.

Mesmo com o caso mais recente das alegadas escutas na Presidência da República, José Manuel Fernandes garante nunca ter deixado de dormir descansado.

O DN publicou em Setembro uma mensagem de correio electrónico trocada entre jornalistas do Público, contendo instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima, então assessor de imprensa do Presidente da República, sobre suspeitas de escutas na Presidência.

Em resultado deste caso, o provedor dos leitores do Público, Joaquim Vieira, denunciou erros graves e aventou a possibilidade do jornal ter estado ao serviço de “uma agenda política oculta”

“O provedor existe para avaliar de forma independente o nosso trabalho e aceito com naturalidade as suas críticas, mesmo aquelas que às vezes considero menos justas. Mesmo sem querer dizer que tudo correu 100 por cento bem na nossa cobertura daquele caso, nunca deixei de dormir bem, e bem com a minha consciência. O que não seria o caso se existisse ‘uma agenda oculta’, afirmou José Manuel Fernandes.



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