O PCP afirmou hoje não estar a considerar apresentar uma moção de rejeição ao Programa do Governo e o CDS-PP voltou a excluir essa possibilidade, enquanto PSD e BE recusaram antecipar a sua decisão.
Apesar de, publicamente, o PSD recusar antecipar o que vai fazer antes de conhecer o documento, dirigentes sociais-democratas disseram à agência Lusa que nunca foi colocada pela direcção nacional a hipótese de apresentar uma moção de rejeição ao Programa do Governo.
Por sua vez, questionado pelos jornalistas, no Parlamento, se o PCP poderá apresentar uma moção de rejeição ao Programa do Governo, o líder do grupo parlamentar comunista, Bernardino Soares, declarou: "Não estamos a considerar isso neste momento".
Bernardino Soares acrescentou que, para o PCP, o debate do Programa do Governo "servirá para apontar a eventual falta de alterações em questões muito importantes e para propor linhas alternativas".
"O PS perdeu a maioria absoluta e isso tem de se traduzir nalguma alteração", defendeu. O que acontecerá se isso não se verificar, perguntaram os jornalistas. "Não será um Programa que corresponda à vontade dos portugueses", respondeu o líder parlamentar do PCP.
O líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, reiterou a posição defendida há quinze dias pelo presidente do seu partido, Paulo Portas: "É irresponsável apresentar quer moções de censura, quer moções de rejeição".
"Ter uma posição tomada sem ler o documento não é sério", contrapôs o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza. "O partido não tem nenhuma posição a não ser actuar em conformidade com a avaliação que fizer do Programa do Governo", acrescentou.
No mesmo sentido, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Agostinho Branquinho considerou que "ter uma posição sem conhecer o documento seria uma atitude irresponsável".
Hoje de manhã, o líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar Branco, já tinha dito que o seu partido não se iria "antecipar àquilo que for o Programa do Governo", mas não deixou de apontar "o ponto de partida" dos sociais-democratas.
"É um ponto de partida que não põe em causa a estabilidade que é necessária para que este Governo possa começar o seu mandato com condições para poder contribuir para que Portugal saia da grave crise económica em que se encontra", disse.
"Não é de nós que partirá uma actuação que vá criar instabilidade governativa", reforçou Aguiar Branco.
O Programa do Governo deverá ser apresentado na Assembleia da República na segunda-feira, até às 19:00 horas, e vai ser discutido na quinta e na sexta-feira da próxima semana, prazos com que a oposição concordou, embora dizendo que gostaria de ter mais tempo para analisar o documento.




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