Avaliação

Ensino superior: estudantes de Letras de Lisboa contra novo regulamento de avaliação

Publicado em 28 de Outubro de 2009   
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Os estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa concentram-se quinta-feira contra o novo regulamento de avaliação que os obriga a assistir às aulas, alegando desconhecer as consequências das faltas.

A decisão foi tomada em Reunião Geral de Alunos (RGA) na semana passada, depois de os estudantes terem sido confrontados com a aprovação, em Setembro, do novo regulamento, que consideram penalizador e castrador do sentido de responsabilidade dos alunos.

Numa moção aprovada naquela reunião, os estudantes exigem a revogação do Regulamento Geral de Avaliação instituído e dizem que veio dar "mais uma machadada" nos seus direitos e "na própria noção de ensino democrático".

"Este regime vem no seguimento da implementação do Processo de Bolonha, que defende uma avaliação exclusivamente presencial", lê-se no documento divulgado em vésperas da acção de luta, marcada para o átrio da Faculdade de Letras de Lisboa.

Na moção, os estudantes afirmam que ao contrário do que acontecia anteriormente, "em que o sentido de responsabilidade e de livre-arbítrio era reconhecido", com este regime ficam "impedidos de poder escolher quais as suas prioridades a nível académico".

"Temos de participar em todas as aulas e em todas as tutorias. O que acontece se não formos ninguém sabe, fica ao critério do professor o que fazer com o aluno. Não é reconhecida qualquer forma de avaliação alternativa", disse à agência Lusa Rosa Medina, uma das estudantes que participou na RGA.

Segundo a aluna, este regime abrange os alunos do contingente geral, não se aplicando a quem tem o estatuto de trabalhador estudante.

Os estudantes consideram, porém, que o novo regime é "pouco específico e muito incompleto".

"Os estudantes do ensino superior têm o direito a ser tratados como pessoas responsáveis, têm o direito de optar pela sua assiduidade nas aulas. Não aceitamos que nos seja imposta uma medida tão restritiva e condicionante da nossa liberdade", lê-se na moção.

Rosa Medina exemplifica que antes podia faltar às aulas desde que estivesse informada sobre o que se tinha passado na aula e cumprisse os trabalhos pedidos pelos professores, ficando assim livre para fazer as suas "escolhas", sem ser "penalizada".

"Os professores valorizam quando o estudante vai às aulas, mas não havia este castigo", refere, acrescentando que os estudantes estão muito mobilizados para esta acção.

"Hoje, por exemplo, está a decorrer um colóquio muito interessante sobre a Seara Nova a que gostava de assistir e não posso porque teria falta", lamenta.



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