O padre Fernando Guerra, de Covas do Barroso, Concelho de Boticas, garantiu hoje que possui documentação que prova que as armas apreendidas pela GNR estão legais, à excepção de uma pistola que diz ter herdado do pai.
Em entrevista hoje à RTP, o sacerdote detido domingo pela posse ilegal de armas, explicou que possui licença de uso e porte de arma para um revólver e que, para as outras armas, está a decorrer o processo de legalização, ao abrigo da nova lei das armas, na PSP.
“É certo que não dei com os documentos da arma que herdei do meu pai. Até os posso não ter, considero essa parte ilegal. Em relação às outras, uma está legal e em as restantes entreguei-as na PSP para registar”, afirmou.
Salientou ainda que prestou todos os esclarecimentos à juíza que o ouviu em primeiro interrogatório judicial, na segunda-feira.
Fernando Guerra considera que não cometeu nenhuma ilegalidade e justifica possuir as armas com o facto de ter de atravessar constantemente uma região montanhosa e de alegadamente ter sido alvo de uma emboscada, em 2007, onde ficou com ferimentos numa mão.
À RTP, o sacerdote disse ainda que quer as armas lhe sejam devolvidas.
“Têm que mas devolver, pelo menos essa que está legal e, depois, quando a PSP mandar os documentos, têm que devolver as outras também. A arma do meu pai tem valor estimativo para mim”, salientou.
Hoje mesmo o padre já celebrou uma missa de sétimo dia, que não pode realizar na segunda-feira por estar detido, retomando assim à sua rotina diária.
Fernando Guerra foi detido no domingo, após celebrar a missa em Covas do Barroso pela suspeita de posse ilegal de armas de fogo.
Na segunda-feira, o sacerdote esperou largas horas para ser ouvido pela juíza do Tribunal de Boticas, de onde saiu nove depois em liberdade, com o termo e identidade e residência e a obrigatoriedade de apresentações semanais no posto local da GNR.
A GNR montou um forte aparato à volta do padre tanto no dia da detenção, invadindo a aldeia com cerca de 30 dezenas de militares, como na entrada do edifício do tribunal, em que quatro agentes encapuzados acompanharam o septuagenário.
O sacerdote disse que a presença dos militares no domingo “foi uma surpresa”
“Eu não contava”, salientou, acrescentando que sentiu que “faltou um pouco de discrição” à actuação da GNR, já que os agentes entraram na igreja numa altura em que ainda lá estavam fiéis.
No entanto referiu que os militares estavam a cumprir o dever deles.
Na altura, sua grande preocupação foi, segundo contou, avisar as outras paróquias de que já não podia celebrar mais missas no domingo.
Segunda-feira, à saída do tribunal esperavam-no cerca de duas dezenas de pessoas, que, segundo o sacerdote, até disputaram entre si quem o acompanhava a casa.




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