O correio electrónico deverá ter vida longa, pois estudos mostram que 70 por cento dos cibernautas utilizam esta ferramenta e, quando uma tecnologia funciona bem, "não há qualquer incentivo para a mudar", afirmou o investigador Gustavo Cardoso.
"O e-mail surge como ferramenta muito antes da Internet tal como nós a conhecemos, e surge porque as pessoas tinham essencialmente necessidade de comunicar", recordou o também director do Observatório da Comunicação (Obercom), para quem, "durante muito tempo, talvez durante a última década", prevaleceu a ideia de que as pessoas usavam a Internet sobretudo "porque buscavam informação", o que não corresponderá à verdade.
Fazendo uma análise empírica dos usos a nível global, ou seja, na Ásia, na América do Norte, na América do Sul, na Europa e nalgumas zonas de África, "quando listamos as razões pelas quais as pessoas usam a Internet e, em particular, o que fazem com ela, a comunicação tem uma preponderância muito grande", assinalou.
Ainda de acordo com Gustavo Cardoso, "quando se começa a entrar num registo de relacionamento organizacional, o e-mail é a ferramenta por excelência, uma ferramenta mais contratual", que tem sobrevivido desde que, em 1969 e no início dos anos 70, começou a ser utilizado para aquilo que interessava a elementos da comunidade científica no momento: "comunicarem uns com os outros sobre os seus trabalhos, partilharem histórias sobre ficção científica e saberem onde podiam encontrar marijuana".
Enquanto houver procura do e-mail, este "poderá sofrer algumas transformações relacionadas com a experimentação daquilo que é útil" mas, se a tecnologia resulta, "não há qualquer incentivo para a mudar", na opinião do docente e investigador do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
"O Gmail, por exemplo, tem algumas funcionalidades que ficam próximas de uma agenda e há algumas sinergias que podem ir acontecendo mas, enquanto princípio de 'para que serve', não creio que venhamos a assistir a mudanças muito radicais", declarou à agência Lusa.
Gustavo Cardoso disse ainda acreditar que "o e-mail desempenha um papel que não é substituível por outras ferramentas, a menos que sejam novas ferramentas que incorporem o e-mail e outras coisas, como parece ser o caso do Google Wave", que é, por agora, "mais a novidade e a vontade de perceber do que se trata e de experimentar do que uma certeza absoluta de sucesso".
O também director da rede de centros de investigação LINI (Lisbon Internet and Networks Institute) revelou à Lusa que - num momento em que o Google Wave está a ser experimentado por 100.000 internautas - continuam a existir utilizadores dos sistemas de e-mail mais antigos e rudimentares.
É o caso do programa Eudora, "que era muito utilizado e depois 'desapareceu'", quando, na verdade, "ainda há pessoas que o utilizam", o mesmo sucedendo com o Thunderbird, outro sistema de correio electrónico, exemplificou o responsável.
Também continuam a ser utilizados o Outlook, o Hotmail, o Yahoo, além dos e-mails associados a fornecedores como o SAPO ou a Netvisão e, na opinião de Gustavo Cardoso, "não é previsível" que o interesse pelo correio electrónico diminua, pois "o e-mail substitui a comunicação por carta e esta tinha alguma lógica de existir".
"É uma tecnologia já velha, mas por alguma razão sobreviveu e continua a transformar-se", acrescentou o investigador, para quem - a par de outras opções mais recentes, como o Messenger, o Facebook ou o Twitter - o e-mail reforça aquilo que nos define como espécie: "a nossa capacidade de comunicar".




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