Começa esta semana a época da preparação para os testes. Tradução: começou a época das horas de estudo despendidas por milhares de pais e de mães de todo o país que tentam aprender com os filhos coisas como francês, trigonometria, tipos de rochas, invasões bárbaras, advérbios, números decimais, a diferença entre o dividendo e o divisor, contas de vezes, a uretra e até os possíveis cenários, mitos e explicações históricas do destino fatídico de D. Sebastião. E sempre com a dedicação de quem está a fazer os testes para entrar para a função pública sem poder usar o corretor orto- gráfico.
Mas há mais. E pior. Este segundo trabalho dos pais tem de ser feito às escondidas. Ou seja, os filhos não podem perceber que os pais não percebem nada do aparelho digestivo e que é a primeira vez que ouvem falar das funções sintácticas dos elementos da oração.
E um erro pode ser fatal: "Se o pai não sabe porque é que eu tenho de saber? Não quero saber onde se forma a urina, quero ser actor dos 'Morangos com Açúcar'."
O truque, caros pais que têm mesmo de ajudar os filhos a estudar, está no ar - o ar é tudo. Devemos sempre adoptar um ar, digamos, displicente, quase arrogante: "O quê?! Não sabes converter dal em hl? Deixa lá ver o que eles dizem no livro para eu te poder explicar da mesma maneira. Porque é tão fácil, tão fácil que até é difícil de explicar". Acredite: eles acreditam.
Jornalista




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