Entrevista
Bernardo Bairrão: "Ninguém gosta de se ver insultado pelo primeiro-ministro" - vídeo
por Maria João Avillez, Publicado em 24 de Outubro de 2009
O sucessor de Moniz na TVI fala do fim - que "não foi ilegal" - do "Jornal de Sexta", elogia a Ongoing e lança farpas à golden share do Estado na PT
Trabalhou na banca, ingressou na TVI em 1994, saiu dois anos depois para se dedicar a "projectos profissionais próprios". Em 1998 é Miguel Pais do Amaral quem o vai buscar para regressar à casa, como coordenador da área financeira. Hoje, Bernardo Bairrão, 43 anos, é o homem forte da Media Capital onde actua em duas frentes: é administrador--delegado do grupo e desde Agosto director-geral da TVI. Dão-lhe "excelente" a gestão e a relações humanas, José Eduardo Moniz que o diga, que fez dele o seu braço-direito mas também o esquerdo. Não gosta de palcos, trabalha muito, sabe muito de media, fala dos nossos com a lucidez de um conhecedor. E por isso não tem ilusões quanto ao momento que vivem e às amarras que os tolhem.
Está consciente de que a TVI continua sob suspeita? Que até hoje não houve uma explicação considerada suficientemente racional, convincente e verosímil para o fim do "Jornal de Sexta"?
Já demos uma explicação que, do nosso ponto de vista, corresponde aos factos. Foi dada à Entidade Reguladora [ERC] e parte dela já veio a público: havia a vontade há muito manifestada pela administração de ver alterado o perfil de um jornal que, na opinião de muitos - e também da ERC - carecia de alguns ajustamentos face ao que era o estatuto editorial da TVI. A grande crítica que foi feita à TVI ao longo deste período prendeu-se muito mais com o momento em que se pôs termo ao jornal. Aceitámos dar essa justificação da forma mais racional para que se percebessem os passos que levaram ao seu fim. No momento em que isso começou a ser analisado e discutido - inclusive com o anterior director- -geral da estação, José Eduardo Moniz - constatou-se que não era oportuno fazê--lo. Face às críticas públicas de que o jornal tinha sido alvo por parte de altas figuras do Estado, era estar a dar-lhes razão quando tais críticas incidiam sobre o conteúdo e não a forma. E isso nunca poderia obter o nosso acordo. E a prova está em que até hoje não fomos condenados em situação alguma relativamente a esse conteúdo. Achámos porém que o jornal estava a ser alvo de críticas violentíssimas de diversos membros do Estado, do governo, de organismos públicos - nomeadamente da ERC com uma recomendação também violentíssima - que, atacando a forma, desvirtuavam o que era realmente importante, o conteúdo. A verdade é que nos instavam a terminar com um estilo de informação que misturava o opinativo com o informativo. E se é certo que críticas públicas - e não em particular a do primeiro-ministro - obrigam uma empresa a equacionar o caminho que está a trilhar, eu continuo a achar que a Manuela Moura Guedes é uma excelente jornalista, que pautou sempre o seu trabalho pelo rigor e a busca de novas informações relevantes. Mas a dada altura achávamos que estava a ser posta em causa a credibilidade desse mesmo trabalho, atacando o que é o seu estilo próprio.
A dada altura? Mas se o estilo sempre foi o mesmo porque é que de repente tudo passou a ser "considerado" e logo por coincidência após uma queixa pública do primeiro-ministro?
Não. Existem vários registos muito anteriores à tomada de posição pública do primeiro-ministro, toda a problemática do "Jornal de Sexta" é anterior a ela. Obviamente que ninguém gosta de se ver insultado na praça pública pelo primeiro-ministro ou por outras personalidades públicas mesmo que não lhe reconheçamos as críticas feitas na altura. E repare que nem sequer a primeira recomendação da ERC reconhece totalmente essas críticas, do mesmo modo que nós não nos reconhecemos nas acusações de "intervenção política".
Porque acabou o jornal naquela altura?
Se tivesse terminado no momento das críticas do primeiro-ministro, seria claramente ligado à pressão pública então em curso para que terminasse. Se lhe tivéssemos posto um fim durante a campanha eleitoral seria visto como resultado de uma pressão feita meses antes. O que prevaleceu foi o parecer da administração de deixar acabar normalmente a grelha de Julho para depois reavaliar a situação. Uma atitude que inteiramente desmente a pressão política: se nos tivéssemos submetido, tê-lo-íamos feito seguindo o caminho normal que podia até passar pela substituição do director de informação... Não foi assim.
E qual o papel da Prisa no fecho do jornal? Sentiu que havia da sua parte um empenho para que acabasse?
O "Jornal de Sexta" foi um tema recorrente ao longo dos tempos, ia sendo analisado. Um accionista internacional não fica indiferente a ver na praça pública as permanentes críticas vindas do poder político e económico, das mais variadas actividades e individualidades - nomeadamente jornalistas: Questionavam-se, mas a única coisa que sempre exigiram foi isenção e rigor. E nós fomos dando a cara por isso. Obviamente que, chegando a Junho/Julho, fizemos uma reavaliação da situação face ao que tinham sido os últimos meses do jornal - e da estação - porque se temia a entrada num período eleitoral complicado. Era importante salvaguardar a TVI e sobretudo não nos vermos numa guerra política, o que em absoluto recusávamos. Mas, atenção, sem nunca pôr em causa o trabalho jornalístico, e foi isso que muitas vezes se esqueceu nas críticas que nos foram feitas: em momento algum foram postas em causa as actuações dos jornalistas, enquanto produção de informação, desenvolvimento de investigação e conteúdo jornalístico.
E eis que chegamos ao recente relatório da ERC. Como o comenta? Foi uma surpresa?
Não me surpreendeu de todo. Infelizmente está lá tudo o que eu previa, porque do texto transparece muito o que é a ERC: o reflexo e o peso do que são as opiniões políticas dos principais partidos numa entidade que tem que fazer aquilo que o burburinho público reclama..
Discorda da decisão?
Não agimos de forma ilegal. Pôr termo a um formato ou mudar um pivô não pode pôr em causa a independência, o rigor ou a isenção dos jornalistas! Ou então estaria a atribuir a todos os outros jornais e jornalistas da TVI uma ausência total de rigor e isenção. Admito que aquele jornal era diferente, que tinha um pivô muito marcante, mas julgo que a isenção e o rigor se constroem especialmente pelo conteúdo informativo. E, quanto a isso, não houve qualquer desvio. Manteve-se a mesma equipa de investigação, a fazer o mesmo trabalho.
Face ao relatório da ERC, que se segue?
Está a ser analisado pelos nossos serviços jurídicos, mas tenho curiosidade de conhecer as cinco declarações de voto que logo solicitei, mal recebi a declaração da ERC. Aparentemente alguns jornais já as conhecem, nós ainda não. Sobre os fundamentos jurídicos que estão por detrás da decisão, não me pronuncio, não temos ainda uma opinião formada. Sobre a decisão em si, mantenho que não é ilegal. Se o fosse obviamente que não a teríamos tomado.
Em resumo?
Não esqueçamos que tudo isto começou quando se ouviu dizer que o jornal acabava por causa das palavras do primeiro-ministro! Se assim fosse, ter-nos-ia sido muito cómodo, logo no dia a seguir dizer: "Acabou!" Ou, no dia a seguir ao dr. José Eduardo Moniz ter saído de director-geral, poderíamos ter dito: "Acabou!" Não foi assim, houve uma ponderação profunda já que a decisão a ser tomada naquela altura poderia ter interpretações contrárias ao que era a nossa vontade. Calcule o que seria se a tivéssemos tomado na semana a seguir às eleições legislativas, ganhas de novo pelo sr. primeiro-ministro e ainda por cima com uma maioria relativa? ...é muito hábil...
...ou imagine o que seria ter tomado esta decisão agora, no início de um tempo político conturbado, como muitos defendiam? Aí seria a confirmação de termos aguentado até ver se o governo mudava mas, como não mudou, então acabávamos com o jornal! É preso por ter cão, e preso por não ter.
A legislação que tem vindo a ser criada não facilita as coisas...
Nada! Ao longo dos últimos anos - e não devemos restringir-nos a este governo - foi criado um emaranhado de legislação e regulamentação que veio dificultar muitíssimo a actividade dos meios de comunicação social em Portugal. Refiro-me, por exemplo, à nova Lei da Televisão, ao novo estatuto do jornalista, à criação de um novo regulador, totalmente dependente do poder político, com competências e poderes muito mais alargados face ao anterior regulador. São as quotas da música nacional nas rádios, de aparente mérito mas de aplicabilidade duvidosa, são as limitações impostas à exploração comercial dos meios. Se a tudo isto somarmos a grave crise económica em que nos encontramos, o agravamento da carga fiscal sobre as empresas e a pressão exercida sobre as mesmas por uma máquina fiscal que mais parece um veículo descontrolado atacando tudo e todos, percebe-se o quanto se complicou a actividade das empresas de comunicação social em Portugal e a forma dramática como todas estas alterações e novas condicionantes afectaram a sua situação económico-financeira, tornando as empresas obviamente mais dependentes do poder económico e político. Esta situação pode levar no extremo a uma autocensura das próprias empresas e dos seus profissionais, nomeadamente dos jornalistas, para evitarem problemas mais graves, ao percepcionarem uma situação de dependência que até pode não ser real. Há que evitar que isto possa ocorrer e aí todos temos responsabilidades. Seria importante que os políticos, sempre tão disponíveis para comentar possíveis intervenções indesejadas dos diferentes poderes nas empresas de media, discutissem formas reais de garantir as condições para que essa independência possa ser inquestionável. Como? Através da redução das condicionantes legais à sua livre actividade, criando condições para que as empresas consigam ser economicamente mais sustentáveis e através de uma maior inde- pendência do regulador perante o poder político.
Vamos então agora à Media Capital, falando da TVI e do sucesso da Plural, do qual foi o mentor e o motor...
Não! A Plural é a continuidade da NBP, empresa fundada pelo Nicolau Breyner e que teve no António Parente o seu principal dinamizador. Desde há três anos com o assumir da gestão pela Media Capital e a compra da totalidade do capital, tive alguma responsabilidade na transformação daquilo que é hoje a Plural. Com muito orgulho, mas também com enorme gozo, foi dos projectos em que mais me envolvi e dos quais tirei maior satisfação profissional: pelo tipo de negócio, pelas pessoas que aí trabalham, pelos resultados alcançados. A Plural Portugal, com uma cultura e ambição diferentes e uma grande equipa liderada pelo André Cerqueira, tem hoje uma estratégia clara que passa pela diversificação de mercados (Brasil, Angola, Argentina, EUA, entre outros ), de produtos (séries, minisséries, cinema) e mesmo apostando em novas áreas, como a produção de publicidade. Obviamente que o facto de a Prisa ter decidido concentrar em Portugal todas as suas empresas de produção - com a aquisição da Plural Espanha efectuada em 2008 pela Media Capital - permitiu-nos voar mais alto e ter presença e dimensão internacional. Sabe que temos escritórios permanentes e projectos já em curso em Portugal, Espanha, Brasil, Argentina e Estados Unidos?
E a TVI? Manter a liderança?
Manter a clara liderança dos últimos anos, quer em audiências, quer em rentabilidade. Continuaremos a apostar na ficção nacional embora sem receio de procurar novos formatos, e claro, reforçaremos a aposta na informação de qualidade, com relevo para a consolidação do canal TVI24 - em clara desvantagem face aos concorrentes por não estar ainda a ser distribuído no MEO e na Cabovisão. E finalmente incentivaremos novas sinergias na produção de conteúdos informativos para serem exibidos em multi-plataformas de distribuição, TV, rádio, internet.
Mas o ano de 2009 foi mauzote..
Não foi fácil, mas a TVI soube adaptar- -se bastante bem à grave crise do mercado publicitário. Fê-lo através de uma política de forte contenção de custos, do reforço da sua quota comercial e da diversificação das suas receitas, em que o lançamento do TVI24 teve particular relevância. A esse respeito posso aliás dizer--lhe que contamos reforçar a nossa oferta de canais temáticos durante o próximo ano, partindo da nossa posição única de grande produtor de conteúdos audiovisuais. E do aproveitamento das muitas competências que temos dentro dos diferentes meios do grupo Media Capital.
Não vê então 2010 com pessimismo...
Esperamos a recuperação do mercado publicitário, embora ainda em valores reduzidos, mas apesar de tudo com algum optimismo... Em 2009 e pela primeira vez em muitos anos houve longos períodos com falta de espaço em televisão para a publicidade, fruto de uma redução de preços exagerada verificada no início do ano e que agravou uma situação histórica do mercado português de ter os mais baixos preços de publicidade em TV de toda a Europa ocidental! Importa iniciar uma rápida recuperação destes preços, pois só assim se poderá fazer crescer o mercado publicitário, mantendo uma oferta de programação de qualidade. Enquanto canal líder temos consciência das nossas obrigações também nesta matéria e nesse sentido procederemos em breve à redefinição da nossa política comercial. De forma a tornar mais transparente o mercado de compra de espaço publicitário e - acreditamos nós - facilitar a recuperação do mercado português.
Mas aí a RTP tem um papel fulcral ou não?
Fundamental: na estabilização dos preços e do mercado, no cumprimento dos limites legais do espaço reservado à publicidade, no respeito pelo que se considera ser publicidade institucional. O mercado de televisão em Portugal não é perfeito e nem todos os operadores se vêem afectados da mesma forma por esta crise. Ao ter as suas receitas operacionais garantidas pelo Estado - já que a sua publicidade apenas se destina ao pagamento da sua dívida - a RTP tem uma muito menor pressão para reduzir os seus custos, nomeadamente de programação. Ora isto criará um grave desequilíbrio no mercado se não forem tomadas medidas, o que aliás já foi feito pelos governos em Espanha e França. Não me parece que o estado financeiro do país permita reduzir ou eliminar hoje a publicidade na RTP - que seria sem dúvida mais transparente em termos de concorrência - mas importa definir limites aos custos operacionais do operador público. E muito em particular aos custos de programação dos seus canais generalistas e até dos temáticos, forçando uma redução desses custos de acordo com a quebra do mercado publicitário e consequentemente a redução dos custos dos operadores privados. Conforme, aliás, o previsto no Acordo de Gestão Financeira estabelecido entre o governo e a RTP...
...parece defender o fim do serviço público...
Não. O que me parece claramente exagerado é o facto de a RTP possuir sete canais de televisão e, segundo recentes notícias, ter custado ao Estado cerca de 2,4 mil milhões de euros nos últimos nove anos, mantendo mesmo assim uma dívida de cerca de 900 milhões de euros! Obviamente que nestas condições se torna muito difícil competir de forma justa neste mercado.
Vamos à Ongoing que quer comprar uma fatia que pesa 35% da Media Capital. Sabe-se que a Prisa não torce o nariz porque pagará dívidas. Mas, você, sente-se confortável com este novo accionista, uma segunda alternativa depois do falhanço da PT...
Não me competindo comentar assuntos dos accionistas, é conhecido o interesse da Prisa na alienação de uma posição minoritária na Media Capital e, nesse caso, a existência de vários interessados tem de ser uma boa notícia para os que trabalham no grupo Media Capital e, em particular, a sua administração. Além de um encaixe financeiro relevante, quer a PT, quer a Ongoing representam a associação a importantes players no mercado que comungam da mesma visão da Prisa sobre o caminho a percorrer pela Media Capital no futuro. Mas [sorri] permita-me que comente a formulação da sua pergunta... Primeiro, não acho que a Ongoing seja uma "segunda alternativa", trata-se de um grupo com uma estratégia clara de investimento nesta área, partilha da vontade de internacionalização da Media Capital, e demonstra uma enorme agilidade e agressividade na prossecução dos seus objectivos! De forma alguma pode ser vista como uma solução menos válida para a Media Capital. E já agora... quanto ao que chamou de "falhanço da PT", tenho pena que depois de inviabilizado o negócio pelas razões conhecidas não se tenha aproveitado a oportunidade para discutir a razoabilidade da manutenção de uma golden share no principal operador de telecomunicações português. É que, se por esse facto a PT se vir impedida de promover uma ligação mais forte com os principais produtores de conteúdos - da MC ou qualquer outro grupo -, à semelhança do que está a acontecer nos mercados internacionais, estará a ser posta numa situação de clara desvantagem perante os seus concorrentes!
Mas não só tudo indica que a Ongoing se prepara para comprar parte da Media Capital graças justamente à liquidez obtida através da PT, como há o ainda o desconforto da Caixa Geral de Depósitos face a uma operação que diz "desconhecer". Isto não o deixa a si também algo desconfortável ?
O que me deixa realmente desconfortável é ver inúmeros comentários e notícias sobre a Media Capital - particularmente a TVI - muitas vezes com segundas intenções pouco claras e esquecendo os prejuízos que causam a uma organização que dá emprego a cerca de 1800 pessoas e que actua num mercado fortemente regulado e competitivo! Enquanto gestor, a minha preocupação prende--se exclusivamente com o sucesso da empresa e dos que aqui trabalham e por isso, aí sim, fico claramente desconfortável quando vejo comentários que sem qualquer fundamento envolvem, directa ou indirectamente, a Media Capital. Obviamente não vou comentar notícias vindas a público sobre esse assunto, algumas são até contraditórias. Desconheço a realidade a que se referem, não envolvem a MC directamente e não gostava de contribuir para fomentar as permanentes especulações em torno da empresa e dos seus actuais e futuros accionistas.
E a relação da TVI com o poder? Mudou com o fim do "Jornal Nacional" das sextas?
A TVI manteve ao longo da sua história uma relação de total independência face ao poder político e não vejo qualquer razão para que altere o seu comportamento. Temos consciência das nossas obrigações enquanto canal líder de televisão, que explora um bem público e que tem a sua actividade consideravelmente dependente do poder político - como todos os demais órgãos de comunicação social em Portugal e muito em particular as televisões. Mas isso só nos dá maiores responsabilidades no sentido de demonstrar diariamente a nossa independência e isenção, independentemente dos programas de informação que temos ou venhamos a ter no ar. Do poder político apenas esperamos idêntico comportamento.
Projectos? Continuar onde está? Um dia partir para outra?
A vida de um gestor/administrador nem sempre é fácil, em Portugal. Na actual conjuntura económica e numa empresa de comunicação social com as especificidades que conhecemos, ainda é mais difícil! Se em cima disto pusermos a acumulação de funções de administrador- -delegado da Media Capital e a direcção--geral da TVI, percebe-se que nesta fase o meu projecto seja conseguir conciliá--las. Introduzindo um conjunto de importantes alterações na própria organização da Media Capital e estabilizando a nova organização da TVI. Apesar dos bons resultados alcançados nos últimos anos há muito trabalho para fazer na Media Capital. Terminado este processo, talvez haja tempo para equacionar o meu futuro... Gostava muito de vir a trabalhar fora de Portugal, quem sabe um dia possa concretizar esse sonho antigo.
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