Governo Sócrates II
A sucessora. Isabel Alçada, bestseller popular nas escolas, vai para a Educação
Publicado em 21 de Outubro de 2009
Nomeação do governo pode ficar adiada para a próxima semana. Alçada a caminho da Educação
É um sucesso nas escolas, por causa da série "Uma Aventura" de que é autora em conjunto com Ana Maria Magalhães. Isabel Alçada, actual directora do Plano Nacional de Leitura, é a escolha de José Sócrates para ocupar a pasta da Educação, sabe o i.
A sua substituição à frente do Plano Nacional de Leitura também está a começar a ser desenhada: um nome provável será o do poeta e escritor Fernando Pinto do Amaral.
Contactada pelo i, Isabel Alçada afirma não ter sido convidada pelo primeiro-ministro. "Não tenho qualquer convite do primeiro-ministro. Fui convidada antes da campanha eleitoral para dar o meu testemunho sobre política educativa. Mais do que isso não", disse a escritora ao i.
A falta de um convite formal do primeiro-ministro àquela que deseja que ocupe a pasta da Educação faz sentido, uma vez que ontem informações oficiais do governo já apontavam o princípio da próxima semana como "a data mais provável" para o anúncio da composição do novo executivo. Embora as mesmas fontes não dessem como excluído que no fim da semana pudesse haver "fumo branco" no gabinete de José Sócrates. De qualquer forma, as regras socratistas obrigam qualquer candidato a ministro a um total sigilo, sob pena de despedimento imediato. Foi assim há quatro anos e meio, quando o primeiro-ministro formou o primeiro governo.
Enquanto não sai o fumo branco do conclave papal socialista - que em matéria de formação de governo se resume ao próprio José Sócrates, a Pedro Silva Pereira, com o recurso também à consulta a Vieira da Silva -, os nomes dos ministeriáveis vão circulando nos corredores do PS, com um cariz mais ou menos especulativo.
Certezas só três: além de Isabel Alçada na Educação, a continuidade de Teixeira dos Santos nas Finanças e a manutenção natural de Pedro Silva Pereira como número dois de José Sócrates, qualquer que seja a pasta que venha a ocupar. A continuação de Ana Jorge na Saúde também não é questionada. Nos corredores socialistas, uma das possibilidades que tem sido sugerida é uma alteração orgânica no governo que possa fazer com que Teixeira dos Santos continue a manter as duas pastas, Finanças e Economia, que anda a acumular desde que Manuel Pinho foi forçado a demitir-se depois do episódio dos "corninhos" na Assembleia da República.
A favor desta solução está o prestígio e o perfil político muito forte de Teixeira dos Santos - um independente que acabou por ser uma revelação na campanha eleitoral - que o fazem um interlocutor privilegiado para lidar com empresários em tempos de crise. Com uma equipa de secretários de Estados de perfil elevado, a acumulação não seria um peso para o ministro, se contasse com secretários de Estado fortes.
Contra a amálgama das duas pastas joga o passado socialista recente: Pina Moura, ministro das Finanças de António Guterres, defendeu a solução e chegou a ocupar a pasta em conjunto com a da Economia. Mas a gestão por Pina Moura dos dois Ministérios revelou-se complicada, até porque coincidiu com a presidência portuguesa da União Europeia, que fez o trabalho governamental disparar. Luís Nazaré, um socialista que é sempre hipótese para a economia, está fora de causa. Basílio Horta, o presidene da Agência para o Investimento, também. Nas Obras Públicas, a possibilidade mais forte é Vieira da Silva, o actual ministro do Trabalho.
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