Primeiro estranha-se. Depois fazem-se contas. Por fim, opina-se. Se é verdade que a Microsoft está a planear uma entrada de rompante no mercado dos telemóveis, como noticiou o Wall Street Journal, então alguém precisa de oferecer a Steve Ballmer uma calculadora. Sabemos que tem dinheiro a rodos, como se viu pela oferta de 30 mil milhões que fez no ano passado para comprar a Yahoo!; mas será uma estratégia inteligente entrar num mercado tão concorrido numa altura péssima para a economia, e logo depois de apresentar uma quebra de lucros pela primeira vez na sua história?
Só por si, a recessão já seria motivo suficiente para deixar tal plano em 'stand-by'; mas no que respeita à Microsoft, o problema é mais profundo. Tem que ver com a forma como o público percepciona a marca. Não é 'cool', não é 'trendy', não é 'fashion'. Antes pelo contrário. Microsoft é associada a um mal de que padecem todos os computadores por defeito. Muita gente não sabe usar outra coisa, e essa é a razão pela qual não mudam. O domínio da Microsoft nos sistemas operativos não tem sido replicado noutras aventuras. Senão vejamos: a Microsoft decidiu lançar um "iPod killer" chamado Zune e obteve um fracasso constrangedor. A Microsoft decidiu fazer uma contra-campanha com Jerry Seinfeld para combater os anúncios da Apple e acabou por sofrer um vexame publicitário. Agora quer combater o iPhone? Depois de TODOS os fabricantes de telemóveis terem tentado (e falhado)?
Do mercado móvel, a Microsoft conhece apenas o software. E aposto que nem todo o orçamento de marketing do mundo conseguirá que os consumidores olhem para um telemóvel Microsoft como olham para um Apple.




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