Espanha

Marcha contra o aborto juntou um milhão de pessoas em Madrid

Publicado em 17 de Outubro de 2009   
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Muitas famílias, religiosas, deputados. A marcha contra a nova lei do aborto convocada para esta tarde nas ruas Madrid reuniu pelo menos um milhão de pessoas, disse um porta-voz da polícia espanhola. Os lemas antiaborto foram entoados por participantes de todas as idades, numa altura em que cresce a tensão entre governo e oposição sobre a revisão da lei.

A manifestação foi organizada por mais de 46 organizações e arrancou às cinco da tarde da Porta do Sol. A palavra de ordem "Cada vida importa. Pela vida, pela mulher e pela maternidade" abria a marcha, escreve o El Mundo.

Figuras políticas como José Maria Aznar, a secretária-geral do PP María Dolores de Cospedal e a presidente da Comunidade de Madrid Esperanza Aguirre participaram na marcha a título pessoal. Apesar do apoio do PP, o encontro não teve a participação oficial do principal partido da oposição. José Maria Aznar defendeu durante a manifestação que uma reforma que alargue a actual lei do aborto em Espanha "ultrapassa todos os limites" e é um projecto "retrógrado" do governo socialista.

Questionado sobre porque é que não alterou a lei do aborto quando estava no governo, Aznar disse que não é a interrupção voluntária da gravidez que está em causa mas "transformar o aborto num direito, permitir que os menores abortem sem consentimento, e isso ultrapassa todos os limites".

Esperanza Aguirre foi mais longe nas críticas e acusou o governo de Zapatero de estar a lançar uma "provocação" quando "mais de metade da Espanha" está contra o aborto.

O novo projecto-lei espanhol prevê, por exemplo, o aborto livre até às 14 semanas, a ampliação do prazo para 22 semanas se houver perigo da mãe ou o feto tiver anomalias e a permissão do aborto por jovens entre os 16 e 18 anos sem consentimento paterno.
Movimento em Portugal

Enquanto a marcha corria as ruas de Madrid, cerca de 30 pessoas concentraram-se junto à Embaixada de Espanha (Lisboa) para apoiar uma manifestação espanhola anti-aborto e lembrar que a "causa da vida" não esmoreceu em Portugal, onde ocorrem "muitas transgressões" à lei nacional do aborto.

O movimento Portugal Pró Vida (PPV) convocou, tal como aconteceu noutros países, uma concentração pacífica em frente à Embaixada de Espanha, onde um pequeno grupo, incluindo espanhóis, estendeu uma faixa com a inscrição "Direito à Vida? Sim! Matadores fora!" e conversou sobre o impacto do aborto no presente e no futuro.

"O primeiro objectivo foi manifestar a nossa solidariedade com a iniciativa de Madrid e queremos também lembrar que aqui em Portugal as coisas não pararam, a causa da vida continua", disse à Lusa Luís Ribeiro, da direcção do PPV.

Segundo o responsável, a "luta pela vida" terá de passar não só por um recuo na actual legislação portuguesa, que permite a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas de gestação a pedido da mulher, como numa maior fiscalização por parte dos poderes públicos.

Luís Ribeiro afirmou que o movimento recebe relatos de "mulheres que são, nas suas próprias palavras, tratadas como gado", ultrapassagens do prazo legal para ocorrer o aborto, situações de trauma, falta de acompamento e incentivos à esterilização em situações de vulnerabilidade (inclusive "logo depois de um parto difícil").

"Chegam-nos testemunhos de muitas transgressões. Se a lei, não sendo boa, ainda estiver a ser ultrapassada, são más notícias para a vida", defendeu, sublinhando que, embora estas situações ocorram com mais frequência no privado, são uma realidade também em hospitais públicos.

Sobre a adesão à iniciativa promovida hoje em Lisboa, Luís Ribeiro disse que o objectivo de "despertar a consciência pública" é atingido sempre que se consegue reunir um grupo, por mais pequeno que seja, e chamar comunicação social.

"O objectivo principal hoje centrava-se em Madrid, esta era uma pequena manifestação solidária. O importante não é o número, mas a possibilidade de questionarmos o público, os políticos, sobre estes terrenos onde se jogam os nossos futuros, já que daqui a 15 anos a nossa situação económica, de saúde, de segurança e social será um resultado directo das decisões que tomarmos hoje", afirmou o representante.



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