Cosa Nostra
As exigências da máfia ao Estado italiano
Publicado em 17 de Outubro de 2009
A organização mafiosa entregou um documento ao Estado italiano para negociar fim dos atentados
Poderia ser o ponto de partida do argumento do quarto filme de "O Padrinho", mas desta vez as provas tornam o caso mais real. Foram divulgados documentos que revelam negociações entre o Estado italiano e a organização mafiosa Cosa Nostra, para acabar com a onda de atentados levada a cabo pela máfia siciliana.
Massimo Ciancimino, filho de um dos membros da Cosa Nostra, morto em 2002, entregou às autoridades uma lista de 12 pontos, escrita à mão, que os chefes da organização terão entregado ao Estado. Os pedidos vão da prisão domiciliária para membros da máfia detidos com mais de 70 anos à eliminação do imposto sobre a gasolina para os habitantes da Sicília.
Os atentados começaram em 1992, quando o eurodeputado Salvo Lima, ex-governante da Sicília, foi assassinado pela máfia. Nessa altura o governo endureceu as penas de prisão para os mafiosos e a Cosa Nostra respondeu com o homicídio de dois juízes - Giovanni Falcone e Paolo Borsellino - e com atentados em várias cidades. Tendo em conta os documentos agora revelados, o juiz Borsellino tinha conhecimento da existência do diálogo entre a máfia e o Estado, assinalou o ex-ministro da Justiça Claudio Martelli, aproveitando a ocasião para garantir que o Estado nunca aceitou as propostas. Martelli explicou aos fiscais encarregados da investigação do caso que, ao falar com Borsellino, pouco tempo antes da sua morte, percebeu que o juiz sabia "das negociações para acabar com as mortes e os atentados." Os investigadores consideram o documento a "prova tangível" de que as negociações "não só existiram, como tinham sido iniciadas na altura dos atentados contra Falcone e Borsellino".
Apesar do esforço do governo italiano, os crimes relacionados com a máfia não parecem ter os dias contados. O executivo de Berlusconi deteve já 270 fugitivos acusados de vínculos à máfia, o que corresponde a um aumento de 90%. O número de mortes no Sul de Itália provocadas pelas três máfias italianas que ali operam, a Camorra, napolitana, a N'Dranghetta, calabresa, e a Cosa Nostra, siciliana, é superior às que ocorreram na Faixa de Gaza no mesmo período.
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