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Quanto mais as empresas investem no estrangeiro, menos Portugal exporta

Publicado em 15 de Outubro de 2009   
Estudo indica que o investimento directo português no estrangeiro substituiu, durante uma década, as exportações nacionais
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Quanto mais as empresas portuguesas investem no estrangeiro, menos se exporta para esses países. Esta é a principal conclusão de um estudo sobre os efeitos do Investimento Directo no Estrangeiro (IDE) na balança comercial de Portugal, realizado pelos economistas Álvaro Mendonça, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), Miguel Fonseca e José Passos. Depois de o discurso político ter incentivado, nos últimos anos, a internacionalização das empresas portuguesas, as conclusões da análise põem em causa o efeito positivo do IDE na economia doméstica.

O estudo analisou as trocas comerciais entre Portugal, Europa dos 15, EUA, Brasil, Angola e China entre 1996 a 2007. O resultado é claro: "O investimento directo além-fronteiras tende a substituir o comércio, daí resultando um efeito negativo sobre a balança comercial."

Os autores do estudo apresentam números divididos por país. Esta tendência é mais notória nos caso do Japão e da China, onde por cada 1% de aumento de IDE as exportações portuguesas caem, respectivamente, 0,21% e 0,36%.

"É preciso avaliar melhor os incentivos aos investimento no estrangeiro", explica António Mendonça. "Este estudo é um primeiro levantamento, mas indica que, por vezes, a lógica da empresa não coincide com a lógica nacional."

Já o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, discorda da existência de duas lógicas diferentes. "O que é bom para as empresas é bom para o Estado", assegura. "Até pode haver um efeito de diminuição das exportações, mas eu vejo o IDE como a outra face do investimento em Portugal." Segundo Basílio Horta, entre Janeiro e Julho entraram em Portugal quase 18 mil milhões de euros de IDE, enquanto Portugal investiu lá fora pouco mais de quatro mil milhões. "É a internacionalização da economia. Devíamos ter mais empresas a investir em novos mercados e diversificando o risco. Internacionalização é a palavra de ordem", defende.

A contrariar o efeito de substituição enunciado no estudo estão Angola e, em menor escala, Espanha. No caso espanhol, enquanto principal destino das exportações portuguesas, a proximidade ajuda ao estabelecimento de relações comerciais. Angola está na mesma situação, mas com números bem mais fortes. Por cada 1% de aumento de IDE, as exportações subiram 0,16%. O resultado está relacionado com um tecido produtivo ainda pouco desenvolvido e que já faz de Angola o quarto maior destino das exportações portuguesas.

O estudo baseia-se no conceito de que as dinâmicas do Estado e da empresa podem não coincidir. Perante o fraco investimento doméstico, é lançada a dúvida sobre se a estratégia de internacionalização é sempre positiva para o crescimento económico de Portugal.


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