O ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, defendeu terça-feira à noite a reabertura da discussão sobre a energia nuclear em Portugal e a procura de soluções para a eventual instalação de uma central no nosso país.
“Se a França e a Espanha têm, porque é que nós não temos? Vamos discutir, ver qual a nossa dependência e vamos encontrar soluções”, disse Ramalho Eanes durante uma tertúlia no Casino da Figueira da Foz.
Respondendo à jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia “125 minutos com…”, sobre o papel dos cidadãos nas questões nacionais, o antigo Chefe de Estado defendeu a existência de uma “sociedade responsável”, dando o exemplo das questões energéticas.
“Eu pergunto ‘nuclear porque não?’” - disse.
Exclamou um “sim” às barragens, ironizando sobre a polémica relativa à eventual submersão das gravuras rupestres de Foz Côa.
“Dizem que as figuras de Foz Côa não sabem nadar. Já tiveram tempo de aprender”, avisou.
No final do debate, em declarações à agência Lusa, Ramalho Eanes disse que a sociedade civil tem de estar preparada para discutir a energia nuclear.
“Acho que tem de estar. Deve estar em condições de discutir tudo, tudo aquilo que possa interessar ao seu futuro. Acho que, em Portugal, é possível ter todas as discussões”, afirmou.
Sobre a problemática da segurança das centrais nucleares, Ramalho Eanes lembrou que os reactores actuais “são muito mais seguros do que eram há 20 anos”.
Frisou que o “preconceito” relativamente à energia nuclear não é uma questão exclusiva de Portugal.
“Não existe só na sociedade portuguesa, existe em praticamente todas as sociedades, nomeadamente as europeias”, sublinhou.
Apesar da opção pela reabertura da discussão sobre a energia nuclear, Ramalho Eanes assume que o futuro também passa pelas energias renováveis, embora estas, declarou, “sendo óptimas, não sejam suficientes para responder às necessidades".




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