Ter interesses e estar interessado

por Henrique Burnay, Publicado em 14 de Outubro de 2009   
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Nas ruas do bairro europeu de Bruxelas há centenas de empresas de consultoria e de escritórios de representação de empresas, associações ou regiões. A primeira razão para toda esta gente aqui estar é a informação. A União Europeia é um labirinto transparente. Com três ou quatro anos de antecedência percebe- se o que vai ser regulado e em que sentido. A informação está toda por aí, mas é tanta e tão disponível que se torna labiríntica. É preciso conhecer os corredores para prever as tendências. A outra razão é que aqui se decide muito, sobre muitos temas (e muitos fundos directos, que nem passam pelos governos nacionais). É por isso natural que regiões, autarquias, cidadãos ou empresas queiram participar no processo de decisão, defender os seus pontos de vista e apresentar os seus interesses legítimos. Feitas as coisas às claras, os políticos sabem quem é prejudicado ou beneficiado com esta ou aquela opção e como - e decidem com conhecimento de causa. Sermos europeus é deixarmos de ficar à espera das decisões e dos fundos e passarmos a fazer parte activa do processo de decisão. O erro português oscila entre o complexo de nos acharmos pequenos de mais para influenciar e a mania das grandezas nacional de acreditar que basta conhecer o presidente da Comissão para ter as portas abertas em Bruxelas. A segunda presidência de Barroso é provavelmente a última grande oportunidade para nos europeizarmos. Os Açores não a vão desperdiçar. Se as empresas e autarquias portuguesas fizerem o mesmo, tiramos muito mais e muito melhor partido da Europa.

Senior partner da Eupportunity, Consultor em assuntos europeus


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