Filha de mafioso não entra aqui
Publicado em 14 de Outubro de 2009
Duas escolas italianas recusam matricular a filha de um patrão da máfia. O caso já chegou ao ministério
Bari é uma cidade como Nápoles, com bairros dominados pela máfia que estão assinalados a vermelho nos mapas turísticos. No entanto, neste caso, o peso do nome de família não tem valido de muito. De facto, tem tido o efeito contrário.
Um mês depois do início do ano lectivo, a filha de um chefe da máfia - cuja identidade não é revelada pelos media italianos - já viu a sua entrada recusada em duas escolas de Bari. O desespero levou a mãe a tomar medidas drásticas, denunciam os directores das escolas básicas Caducci e Pascoli, que foram ameaçados e insultados verbalmente pela mãe da criança de 11 anos. Uma visita sua à Caducci obrigou mesmo à intervenção da polícia, que foi chamada em socorro da directora, Rosa Angela Ferrara, que exige agora que sejam tomadas "as medidas necessárias para condenar o comportamento anormal" da encarregada de educação.
Nesta história tudo foge à norma. As duas escolas - a metros de distância da casa de Francesca (nome fictício) - argumentam falta de vagas, mas numa "audição cuidadosa e completa das escolas próximas da residência da aluna", é referido pelo Secretariado Regional da Educação numa carta enviada ao Ministério da Educação (com carimbo de urgência), foi concluído que qualquer delas tem condições para receber Francesca. A carta foi enviada por Giovanni Lacoppola, dirigente do SRE, que pede ao ministério uma atitude rápida.
Lacoppola contactou entretanto a escola Pascoli. O director diz que, apesar da delicadeza da questão, vai continuar a não aceitar Francesca - o que já originou mais ameaças.
Com várias semanas de aulas em atraso, quem é lesada é Francesca. A mãe mantém as ameaças e sublinha: "Ela não pode ficar em casa!"
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