Nick Cohen escreveu em 2003 o livro "What's Left?", publicado quatro anos depois em Portugal com o título "O Que Resta da Esquerda?". Em traços gerais, o jornalista britânico, colunista do "Observer" e colaborador da "New Statesman", argumentava que, depois da queda do Muro de Berlim e do fim do império soviético, pouco sobrava em termos ideológicos às esquerdas anti-Blair para além do estatismo e do antiamericanismo. O livro foi escrito antes da eleição do presidente Barack Obama, mas o antiamericanismo pode ser hoje facilmente substituído pelo combate ao neoliberalismo.
Caracterizado por um discurso antipoder, avesso a qualquer entendimento com o PS de José Sócrates, o Bloco fez desse estatuto uma estratégia de crescimento eleitoral. Porém, o percurso esbarra no óbvio ululante: sendo por regra do contra, o Bloco não convence como solução de governo, seja nacional seja local. Foi isso mesmo que os portugueses disseram no domingo ao BE, a começar pelos grandes centros urbanos, onde o partido de Francisco Louçã costuma ter maior implantação: não elegeram qualquer vereador em Lisboa e no Porto. Reformulando a pergunta do livro de Cohen, que resta a estas esquerdas? Serem oposição.




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