Educação

Saiba qual é a escola ideal para o seu filho

Publicado em 13 de Outubro de 2009   
Sector privado domina. Melhores escolas estão nos centros urbanos. Pode consultar e guardar os documentos em anexo: a tabela tal como foi publicada no jornal (PDF) ou os ficheiros segmentados por categorias.
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As médias, já se sabe, enganam - e por isso todas as leituras dos rankings devem ser cautelosas. Lisboa, Coimbra, Aveiro e Porto são os distritos com as melhores médias globais, o que não impede que tenham algumas das escolas com piores resultados do país, em bairros problemáticos como o Cerco, no Porto. Igualmente sinuosa é a leitura da eterna dicotomia público/privado. O ensino privado continua a ter um peso esmagador e ocupa 22 dos primeiros 25 lugares da tabela geral. Mas esse número baixa quando se consideram só as escolas com pelo menos 100 provas realizadas. Grande parte dos estabelecimentos privados têm um número reduzido de alunos.

As listas das escolas com os melhores resultados nos exames nacionais apenas são indicadores válidos se não extrapolarem para outras conclusões, advertem os especialistas na área da educação. E, mesmo assim, podem ser falíveis. Desde logo, os rankings não avaliam o grau de exigência de cada estabelecimento de ensino, avisa o sociólogo Santana Castilho: "A média mais baixa de uma escola pode ter mais valor do que a média mais alta de uma outra escola." E a nota mais alta de um aluno não significa um maior aproveitamento escolar: "Há, por exemplo, professores mais preocupados em treinar os alunos para os exames nacionais e professores que se preocupam em que a aprendizagem seja mais integral e não apenas focalizada num só aspecto da avaliação."

Há, por outro lado, escolas privadas que seleccionam as crianças mais bem preparadas, critério que não existe no ensino público: "O que aconteceria se um aluno do Colégio Alemão, em Lisboa, passasse a estudar numa escola de um bairro como o da Bela Vista, em Setúbal? E o que aconteceria se uma criança de um bairro considerado problemático fosse para um estabelecimento de ensino privado?" A experiência nunca foi feita, mas Santana Castilho está convencido de que os resultados dos rankings seriam diferentes.

Por isso, avisa Álvaro Santos, presidente do Conselho das Escolas, as listas são indicadores mínimos que estão longe de reflectir a realidade: "Não existe contexto sociocultural dos alunos, nem se tem em conta o trabalho pedagógico que cada estabelecimento de ensino desenvolve durante o ano lectivo." É um trabalho complexo, defende o responsável, mas que alguns países anglo-saxónicos já começaram a fazer.

De que servem então as listas que o Ministério da Educação divulga todos os anos ? Os rankings são um "bom instrumento" para avaliar resultados específicos, relacionados com o desempenho nos exames", defende Diogo Feio, deputado do CDS-PP, que foi secretário de Estado da Educação durante o governo de Santana Lopes: "A informação deve ser divulgada, sobretudo para que as escolas sintam um estímulo e para que haja um princípio de concorrência que é importante. O resultado é obviamente importante, mas a percepção da evolução é muito mais."

Mais do que importante, é uma obrigação do Estado divulgar as listas, defende o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Nuno Crato: "Todos nós temos o direito de saber como funcionam as escolas. Os dados, apesar de serem parcelares, dão a possibilidade de os pais conjugarem com outras informações que já têm na sua posse e escolher qual o estabelecimento de ensino que querem para os seus filhos."

Mas a liberdade de escolher a escola pública é por enquanto um privilégio circunscrito ao ensino secundário. Do primeiro ao terceiro ciclo, os critérios estão ainda limitados à área de residência do aluno ou local de trabalho dos encarregados de educação. Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, defende que as autarquias deveriam criar anuários com os projectos educativos de todos os estabelecimento de ensino para os pais conhecerem o que cada agrupamento escolar desenvolve sem criar distinções entre escolas "boas e más": "Seria uma forma de educar e informar os encarregados de educação, mesmo que actualmente seja impossível escolher a escola do seu filho", conclui o dirigente da Confap.

 

CORRECÇÃO:
Por lapso, os dados referentes à Escola Secundária do Forte da Casa ( publicados nas páginas 23 e 24 na edição papel de 13 de Outubro de 2009 ) não correspondem aos dados oficiais que colocam esta escola no lugar 413 num total de 606.

Critérios utilizados pela LUSA para obter os rankings publicados pelo i (e que pode consultar e descarregar aqui ao lado):

Ensino secundário:
Trata-se da média das classificações a 18 das 27 disciplinas sujeitas a exame nacional na primeira fase e contempla apenas os resultados dos alunos internos.
    As 18 disciplinas escolhidas pela Lusa são aquelas em que foram realizados exames por, pelo menos, mil alunos na primeira fase, segundo dados do ME: Matemática A, Matemática B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais, Português B, Literatura Portuguesa, Geografia, Economia A, História A, História da Cultura e das Artes, Geometria Descritiva A, Desenho A, Aplicações Informáticas B, Francês (continuação-bienal), Inglês (continuação-bienal), Alemão (iniciação-bienal), Espanhol (iniciação-bienal), Biologia e Geologia e Física a Química A. 
     Na análise dos dados foram elaboradas duas tabelas, uma com todos os estabelecimentos de ensino e outra em que são apenas contabilizadas as escolas onde se realizaram, pelo menos, cem provas.

Ensino básico:
Estão considerados todos os estabelecimentos de ensino nas duas tabelas.



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