Especialista
Amor de filho
Publicado em 10 de Outubro de 2009
As crianças gostam dos pais incondicionalmente e apesar de tudo: apesar de quem são, da forma como tratam os seus filhos ou da hora a que mandam as crianças para a cama. São eles, os pais, o homem e a mulher das suas vidas: são um modelo a seguir ou são um modelo a casar. É uma espécie de fenómeno cartesiano: existo, logo gosto dos meus pais.
As crianças gostam tanto dos pais que aturam os seus berros, palmadas, couves, ordens, oscilações de humor, roupas que picam e que apertam, calções, viagens intermináveis de carro, sopa e horas em filas de supermercados sem água. Nunca se revoltam, apesar de serem enfiadas na cama sem sono, noite após noite.
E no fim de tudo isto por quem choram os meninos? Pela tia que dá brinquedos, pela educadora que nunca se zangou com eles, pela avó que os mima, pelo pai do Ruca? Nada disso: choram por quem lhes torna o dia-a-dia insuportável - os pais. Os seus heróis. Sejam eles ausentes, sejam presentes, bondosos, atenciosos, brincalhões, negligentes, chatos ou autoritários, e é indiferente o seu credo, cultura, idade ou estado civil.
Só que não dura sempre. Ou dura. Depende.
É que este amor incondicional é uma espécie de conta que os filhos abrem em nome dos pais onde se vão acumulando palmadas, litros de sopa, brincadeiras, gritos, colos, presenças ou ausências. As contas, essas, eles fazem quando crescem. E é fácil perceber se o saldo é positivo: os filhos, quando crescidos, normalmente tratam os pais com a mesma dedicação com que foram tratados.
Jornalista, escreve ao sábado
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Actividade em ionline