Freeport

Ministério Público quer punir autor das denúncias anónimas contra Sócrates

Publicado em 09 de Outubro de 2009   
Ministério Público abre processo-crime por considerar pistas falsas. Objectivo é punir perturbações da investigação
Opções
a- / a+
É mais um cruzamento que se abre no sinuoso percurso do processo Freeport. O Ministério Público determinou a abertura de um inquérito para investigar a autoria e circunstâncias em que nasceu a carta anónima recebida, há pouco mais de um mês, pela Polícia Judiciária, envolvendo um primo de José Sócrates nas suspeitas de corrupção no licenciamento do outlet de Alcochete. Perante a confirmação de que as informações dadas são "objectivamente falsas", a carta foi remetida para o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa "para o devido procedimento penal".

Como o inquérito está apenas a começar, o DIAP, liderado por Maria José Morgado, não revela pormenores nem esclarece quais os crimes em causa. No entanto, fonte ligada à investigação afirma que, além de estar em causa um crime de difamação e a tentativa de dificultar uma investigação, se pretende criar um "efeito preventivo". Transmitir um "sinal de que o lançamento de informações falsas para a praça pública será punido" e evitar novas tentativas de "intoxicação".

A chegada da carta anónima à Polícia Judiciária de Setúbal foi noticiada nos primeiros dias de Setembro em vários órgãos de comunicação social, incluindo a TVI - a quem foi enviada pelo autor. As notícias coincidiram com a polémica suspensão do Jornal Nacional, apresentado por Manuela Moura Guedes. "Temos pronta uma peça sobre o Freeport, com dados novos e, como sempre, documentados", afirmou a jornalista ao comentar a suspensão do programa. A peça acabaria por ser emitida no dia seguinte.

Primo, take 2 A denúncia anónima visava directamente José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates, apontado como uma espécie de "entreposto financeiro" no alegado esquema de corrupção. Na carta eram feitas referências à Mecaso, uma sociedade criada em 1999 pela mãe de José Sócrates e detida maioritariamente pelo tio paterno, António Pinto de Sousa, da qual José Paulo é gestor.

Apesar de a recente carta anónima não ser considerada válida para a investigação, não são novas as suspeitas em relação a este primo de Sócrates e à empresa Mecaso. Já em Abril os investigadores procuravam, numa das deslocações a Londres, transferências eventualmente suspeitas para a empresa e admitiam que o primo do primeiro-ministro pudesse ser o parente que o arguido Charles Smith apontou como receptor de luvas.

Segundo noticiou na altura o semanário "Sol", José Paulo Bernardo estará referenciado noutro processo que corre, desde 2001, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e envolve a Câmara da Amadora. Em causa estão indícios de tráfico de influências, corrupção, financiamento a partidos e branqueamento de capitais.

Já é longa a cadeia de familiares de José Sócrates envolvidos no processo Freeport. O primeiro foi Júlio Monteiro, tio materno que admitiu ter proporcionado um encontro entre o então ministro do Ambiente e Charles Smith. "Foi através de mim que ele [Smith] conseguiu a reunião", afirmou em entrevista ao "Sol" Júlio Monteiro, que revelou ainda ter sido levada pelos investigadores documentação relativa a "offshores antigas", durante as buscas efectuadas à sua casa e ao escritório.

Também o filho, Hugo Monteiro, foi apontado devido a referências feitas num email enviado à consultora Smith & Pedro. O primo sustentou ter apenas usado o nome de Sócrates para conseguir uma reunião na empresa, a quem apresentou um projecto de marketing.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close