Soares: actual regime "pode conviver perfeitamente com monárquicos"

Publicado em 05 de Outubro de 2009   
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Mário Soares enalteceu hoje a solidez da República portuguesa, afirmando que esta "pode conviver perfeitamente com aqueles que são monárquicos e mesmo com os que são pretendentes à Coroa de Portugal".

O ex-Presidente da República falava durante a apresentação do livro "A Maçonaria e a Implantação da República", uma obra da Fundação Mário Soares e o Grande Oriente Lusitano (GOL).

No dia em que se assinalam os 99 anos da instauração da República em Portugal, Mário Soares concluiu que a mesma "está sólida" e afirmou que "isso é importante".

"É uma República progressiva, generosa, que pode conviver perfeitamente com aqueles que são monárquicos e com aqueles que são pretendentes à Coroa de Portugal", afirmou.

Em relação aos monárquicos e aos pretendentes à Coroa de Portugal, Mário Soares sublinhou: "É um direito que lhes assiste e nós somos tolerantes com esses direitos, porque a República é liberdade, é tolerante, é democracia, ou não é democracia".

As afirmações de Mário Soares aconteceram menos de 24 horas depois da Causa Real ter "embarcado" numa viagem ao passado e ter dado "vivas" ao rei e à monarquia.

No domingo, a Causa Real juntou duas centenas de apoiantes do movimento monárquico e partiu de Belém no barco "São Jorge" em direcção ao Cais do Sodré. Depois, os monárquicos deslocaram-se para o Largo de Camões, onde se situa a sede da Causa Real, onde hastearam a bandeira monárquica.

Essa acção simbólica visou homenagear o rei Dom Carlos I, que a 1 de Fevereiro de 1908 foi assassinado nas ruas de Lisboa.

Depois de, em Janeiro, a autarquia de Lisboa ter ordenado a retirada da bandeira monárquica da sede da Causa Real, no Largo de Camões, este símbolo monárquico voltou a ser hasteado perante o olhar e as vozes de duas centenas de apoiantes da causa.

"Viva o rei, viva a monarquia, viva Portugal", gritaram as duas centenas de pessoas, confiantes de que esta acção será "o início de uma nova era" para o movimento monárquico.

Para António Reis, grão mestre do GOL, que também apresentou a obra "A Maçonaria e a Implantação da República", trata-se de "resistências muito pouco significativas de alguns saudosistas que têm reservas em relação à República, porque ainda vivem presos a uma mitologia da família real, do rei, que já não faz sentido nos dias de hoje, embora tenham todo o direito de exprimirem-se".

António Reis frisou que "a República veio aprofundar as liberdades e não restringi-las", pelo que considerou positivo que estes apoiantes da Causa Real "possam exprimir as suas ideias", disponibilizando-se para debater com eles "as vantagens da monarquia ou da República".

Contudo, questionado pela Agência Lusa sobre vantagens da monarquia, António Reis disse que não encontra nenhuma no regime monárquico.

"Aquelas vantagens, evocadas por alguns monárquicos, como a existência de um rei, enquanto símbolo da pátria e da coesão nacional, não fazem sentido, pois o povo é que é verdadeiramente o símbolo da coesão nacional", disse.

Por esta razão, António Reis concluiu que não existe "nenhuma vantagem em mudar o regime".

 



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