Autárquicas
Partidos apostam 60 milhões na conquista do poder local
Publicado em 05 de Outubro de 2009
São 60 milhões de euros para garantir milhares de cargos. O PSD quer a maioria. O BE peretende chegar aos mil autarcas
No domingo, as eleições autárquicas vão levar os portugueses a escolher os seus representantes em 308 câmaras municipais, a que acrescem as respectivas juntas de freguesia. São milhares de cargos de cargos por atribuir, disputados por 12 partidos, sete coligações e 33 movimentos de cidadãos. E com um orçamento global que ultrapassa os 60 milhões de euros, segundo os orçamentos depositados na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos. Os maiores centros urbanos são os responsáveis pela fatia de leão nos investimentos de cada partido: Lisboa e Porto lideram, com um orçamentos conjuntos de 1,4 e 1,1 milhões.
Neste valores, o PSD contribui com orçamentos de 575 e 431 mil euros, respectivamente, nas candidaturas de Pedro Santana Lopes e Rui Rio, em coligação com o CDS. Mas o coordenador autárquico dos sociais-democratas, Castro Almeida, recusa fazer "uma leitura directa" entre os orçamentos do PSD para cada município e os objectivos para esta disputa eleitoral.
"Os orçamentos nestas eleições são de iniciativa local e correspondem às actividades previstas em cada município. Mas convém recordar que os orçamentos são limites máximos e não mínimos: há muitos municípios que vão gastar menos do que o previsto, correspondendo ao pedido de Ferreira Leite nesse sentido", explica o dirigente.
O coordenador de campanha do PS, Miranda Calha também rejeita associar os gastos de campanha em cada município com supostas hierarquizações de objectivos. Ou seja, Lisboa e Porto são apenas "mais um desafio entre trezentos" e não assumem um cariz especial por envolverem mais despesa. "Existe uma coordenação nacional, mas cada concelho fez a sua adjudicação de meios, consoante as especificidades de cada campanha. Estamos a falar de eleições locais, com realidades diversas e em que o que interessa é obter o melhor resultado possível em cada concelho", defende. Os objectivos são, por isso, traçados de forma genérica: o PS detém 110 câmaras e parte para a última semana de campanha com a missão de obter "mais votos e mais mandatos". "É isso que consideramos um bom resultado", diz Miranda Calha, recusando "diferenciar desafios".
O coordenador do PSD assume a meta do seu partido: "Temos por objectivo ganhar a maioria das câmaras, a maioria das juntas de freguesia, a maioria de mandatos autárquicos e a maioria dos votos." Por isso, além de querer manter as 158 câmaras municipais (20 das quais em coligação com o CDS ), o social-democrata não esconde que o partido "quer avançar para algumas capitais de distrito". "Posso citar os exemplos de Faro, Braga e Lisboa como alguns em que acreditamos ser possível crescer".
BE quer mil autarcas A terceira maior força política nas autarquias é a CDU, que preside a32 câmaras municipais. O director de campanha da coligação liderada pelo PCP, Jorge Cordeiro, está convicto de que será possível obter "mais votos, mais mandatos e mais maiorias" comunistas nas eleições municipais.
Os principais gastos de campanha da CDU centram-se no Seixal, Lisboa, Almada, Setúbal e Loures. O Porto é apenas o 11.º município com maior orçamento (130 mil euros), numa lista dominada por cidades da Grande Lisboa e margem Sul. "São câmaras onde a CDU tem maior influência e é natural que exista uma relação entre esses orçamentos e a expressão eleitoral", diz. Mas não aceita considerar esses municípios como mais importantes na disputa eleitoral. "Damos um grande valor ao poder local e o que queremos é disputar influência em todas as assembleias municipais".
Ambição semelhante à do Bloco de Esquerda que, apesar de ter o menor orçamento para as autárquicas (1,9 milhões de euros, tal como o CDS), acredita que "as expectativas do partido não são aferíveis pelos orçamentos". O coordenador autárquico do BE, Pedro Soares, recorda que Bloco só preside actualmente à Câmara Municipal de Salvaterra de Magos e assume o desafio de "cimentar o âmbito nacional do partido": "Queremos ter uma grande rede de autarcas. O objectivo é triplicar o resultado e atingir os mil autarcas", avança, apontando Braga, Sintra, Almada, Seixal ou "vários municípios do Algarve" como exemplos "perfeitamente exequíveis" de aumento de vereadores bloquistas. Até ao fecho desta edição, o i não conseguiu contactar o coordenador de campanha do CDS.
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