Irão

Israel entrega a Moscovo lista de russos que estão a ajudar teerão na bomba nuclear

Publicado em 05 de Outubro de 2009   
Agência Internacional de Energia Atómica garante que o Irão está preparado para fabricar a bomba nuclear
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Israel tem feito de tudo para impedir o Irão de ter capacidade para fabricar uma bomba nuclear. Em Setembro, numa visita secreta a Moscovo, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu entregou no Kremlin uma lista de cientistas russos que estarão a colaborar com Teerão no desenvolvimento da bomba nuclear.

A viagem, rodeada de secretismo, foi feita de jacto privado. Netanyahu fez-se acompanhar do seu conselheiro de segurança nacional, Azi Arad e, segundo o "Times", encontrou-se com o presidente e o primeiro-ministro russos, Vladimir Putin e Dmitry Medvdev, a quem apresentou uma lista com provas concretas de que está a ser dada ajuda russa a Teerão. Fonte do Ministério da Defesa russo admite ao jornal britânico que o assunto não foi tornado público para não embaraçar Moscovo.

Embora norte-americanos e britânicos já tenham afirmado que o envolvimento de cientistas russos freelancer pertence ao passado, David Albright, presidente do Instituto para a Ciência e Segurança Internacional (grupo que acompanha a proliferação nuclear) assegura que esta ajuda continua a existir. "Houve ajuda russa. Não é o governo, são pessoas. Pelo menos uma está a ajudar o Irão", disse ao "Times". No entanto, o governo israelita acredita que um cientista russo só poderia trabalhar no Irão com aprovação oficial.

"A colaboração da Rússia com o programa nuclear civil iraniano não é nova e há muitos anos que existe esse compromisso", explica Miguel Monjardino, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica. "Sabemos que o governo russo quer ter uma influência importante num Irão nuclear. O que não sabemos é se há cientistas a colaborar de outra forma num eventual programa militar", acrescenta.

A forma comprometida como o Irão tem vindo a revelar detalhes do seu programa nuclear leva a comunidade internacional a endurecer a sua posição. Depois dos discursos de Obama, Brown e Sarkozy na abertura da cimeira do G20, ontem, foi a vez de o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas afirmar que Washington e outros membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU estão a estudar novas sanções contra aquele país do Médio Oriente. Decisiva nesta tomada de posição deverá ser a atitude cooperativa do Irão nos próximos dias.

Teerão já abriu portas à Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) para inspeccionar a recém-descoberta central nuclear em Qom. "É importante que os nossos inspectores visitem o novo complexo de enriquecimento de urânio para termos garantia de que foi construído para fins pacíficos", declarou o director-geral da AIEA.

No entanto, segundo o "The New York Times", a AIEA terá elaborado um relatório secreto, onde conclui que o Irão tem "informação suficiente para desenhar e produzir" uma bomba nuclear. Facto que, a confirmar-se, dá razão aos receios israelitas. A questão que falta responder é: até onde está Israel disposta a ir para prevenir um Irão com capacidade militar nuclear? "Pela informação que tenho disponível, Israel terá à volta de um ano para tomar uma decisão: se deve ou não impedir por via militar o progresso nuclear do Irão", sublinha Monjardino. "Mais preocupados que Israel, devem estar os países árabes sunitas. Israel está a preparar tudo para a dissuasão nuclear."



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