Política
Rui Pereira. Há sindicatos a pedir a recondução do ministro
Publicado em 05 de Outubro de 2009
Sócrates recebe carta pedindo "continuidade governativa". E a equipa do ministro será homenageada num almoço
Se os sindicatos fossem chamados a formar governo, o ministro da Administração Interna continuaria a chamar-se Rui Pereira. Pelo menos é o que se depreende de tomadas de posição pouco comuns no mundo sindical. José Sócrates e o presidente do grupo parlamentar do PS receberam uma carta manifestando "louvor" pelo trabalho desenvolvido e sugerindo que o ministro e secretário de Estado adjunto se mantenham na Praça do Comércio. Amanhã irá realizar-se um almoço de "reconhecimento".
A manifestação pública de apoio não é consensual - bastaria, aliás, dizer que só na PSP há nove sindicatos para se perceber que existem opiniões para todos os gostos. Mas o assunto tem merecido reflexão na Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos sindicatos das forças de segurança, por iniciativa do actual presidente. Gonçalo Rodrigues, líder do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), explica em poucas palavras as razões do seu apoio a Rui Pereira - com quem partilha a origem transmontana: "Não vejo vantagem nenhuma em haver uma nova equipa. Mas vejo muitas desvantagens."
Embora saliente não estar "ainda" mandatado pela Comissão Coordenadora para assumir uma posição colectiva, Gonçalo Rodrigues diz acreditar que o apoio ao ministro será "unânime". Explicação? A primeira é a "atitude de diálogo" que Rui pereira adoptou com os sindicatos. "Em dez anos como presidente, foi o quinto ministro com quem mantive reuniões e posso assegurar que esta atitude é diferente do habitual no passado", justifica.
Resta saber se a atitude basta. Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (o mais representativo da PSP e membro da CCP), responde com um nim. Começa por dizer que a ASPP não toma posição por "esta ou aquela pessoa". Prossegue defendendo uma mudança das políticas seguidas. Mas admite não ver "mal nenhum" em que se mantenha o actual ministro. Confuso? Não necessariamente. "Não responsabilizamos o ministro pela política que foi seguida", explica. "Creio que não foi responsabilidade sua o facto de acabar por não responder às expectativas dos profissionais da PSP."
Da parte da Associação dos Profissionais da Guarda (a maior na GNR), José Manageiro não faz comentários sobre a eventual continuidade de Rui Pereira à frente do ministério. A GNR vive ainda em luto pela extinção da Brigada de Trânsito, na reorganização em vigor desde Janeiro, mas desse peso o actual ministro livra-se. "Foi culpa do antecessor, António Costa", aponta José Alho, presidente da Associação Socioprofissional Independente da Guarda (ASPIG). Voltar a criar uma unidade de trânsito com dimensão nacional é uma das prioridades que o dirigente aponta para a próxima legislatura. Outra será uma promessa que Rui Pereira deixa por cumprir: alargar o acesso à assistência na doença a todos os cônjuges de militares da GNR (ver texto ao lado).
Inédito? Salientando não dispor de um registo histórico sobre a matéria, o politólogo André Freire admite ser "curioso" e "provavelmente inédito" que sindicatos assumam posições públicas de defesa de um ministro. "Ainda por cima, não me parece que seja um ministro com um registo notável ou uma obra que se destaque", comenta. Como as respostas estão muitas vezes nos bastidores, diz que pode haver promessas a médio prazo que motivem atitudes de apoio.
Mais difícil é acreditar que José Sócrates se deixe influenciar por manifestações públicas no momento de escolher os seus ministros. "É certo que a partir de agora, sem maioria absoluta, o primeiro-ministro precisa de cultivar apoios, mas penso que não há influência no processo de decisão", afirma o professor e investigador.
Fora da esfera sindical, no Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Rui Pereira também colhe pontos, mas convém não esquecer que foi um dos seus fundadores e dirigentes. José Manuel Anes, vogal do Conselho Consultivo, aponta Rui Pereira como sucessor ideal de Rui Pereira, "pelo excelente trabalho realizado". Já o presidente, Jorge Bacelar Gouveia, deputado eleito pelo PSD, prefere não emitir opinião.
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