Finanças Pessoais

Franchising: solução contra o desemprego

por David Almas, Publicado em 05 de Outubro de 2009   
Muitos empreendedores abrem negócios com a indemnização do despedimento. Só em 2008, o franchising criou 2 mil postos de trabalho
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A crise internacional não está a ser simpática para os empreendedores: por cada sociedade que é criada desaparecem seis outras em Portugal, revelam as estatísticas de Dezembro de 2008, as últimas disponíveis. Contudo, há uma área que conseguiu ultrapassar a crise: o franchising.

Em 2008, o número de unidades ao abrigo de contratos de franchising aumentou 3%, avança Andreia Jotta, directora do Instituto de Informação em Franchising (IIF), uma firma que presta serviços às marcas e compila directórios sobre o sector. "Alguns empreendedores vêem o franchising como forma de auto-emprego", explica a especialista. "Há várias pessoas que usam as indemnizações para entrar num negócio de franchising." É por isso natural que as marcas mais procuradas sejam as que exigem capitais iniciais inferiores, como as inseridas nas actividades de consultoria financeira, seguros e gestão de condomínios e as clínicas de unhas. Segundo a base de dados do IIF, os investimentos iniciais do franchising em Portugal começam nos 100 euros e chegam às centenas de milhares de euros.

Embora tenha crescido menos do que em anos anteriores, o peso do franchising na economia portuguesa continua a aumentar: gera um volume de negócios anual na ordem dos 5 mil milhões de euros (mais de 3% do produto interno bruto) e é responsável por mais de 68 mil postos de trabalho. "O modelo de negócio do franchising implica crescimento", explica Andreia Jotta. Durante o ano passado foram criados mais 2 mil postos de trabalho através do franchising. No início deste ano, quando o IIF fez o último balanço, havia já 521 redes de franchising. Através dos contratos de franchising, uma empresa com sucesso comprovado, o franchisador, ensina a um parceiro, o franchisado, a sua fórmula de negócio e autoriza-o a usar a sua marca em troca de contrapartidas financeiras, integrando-o numa rede. Os portugueses cruzam-se com as franchises no dia-a-dia: Intermarché, McDonald's e 5 à Sec são só algumas.

Embora este mercado continue a crescer, a crise afectou o negócio. Andreia Jotta conta que 77 marcas saíram da lista anual. Apesar de algumas delas continuarem a laborar, várias desapareceram por completo, como a Eurocaução na consultoria financeira e a Verde Ervilha no vestuário infantil. "Este número, que está em linha com os anos anteriores, foi mais do que compensado pelo aparecimento de 96 novas marcas", esclarece a directora do IIF, indicando que alguns conceitos fracassam porque se faz um lançamento precipitado e sem capacidade financeira para desenvolver a rede. "O grande impacto da crise foi ao nível de financiamento", assegura.

Financiamento resolve-se Susana Carvalho, que estreou a sua unidade da Monceau Fleurs no Porto em Dezembro, enfrentou "alguns contratempos" quando se dirigiu à banca, o que a levou a pedir apoio ao Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Acabou por obter dinheiro dos dois lados, "embora o IEFP tenha demorado quase um ano". As Iniciativas Locais de Emprego deste instituto, apoiam os de-sempregados, os empregados em risco de desemprego e os jovens à procura do primeiro emprego.

Muitos franchisadores já têm os planos traçados para os franchisados se dirigirem à banca bem munidos com projectos de investimentos. "No caso do franchising, como existe já histórico da marca, é mais confortável para os bancos concederem crédito, pois o risco do negócio é menor relativamente a um projecto isolado e sem experiência", conta António Godinho, administrador da Onebiz, um dos maiores grupos franchisadores portugueses, cujas redes facturam 70 milhões de euros por ano.

Com o aproximar da saída da crise, o acesso a dinheiro começa a ficar mais fácil. Andreia Jotta acredita que a indústria do franchising poderá receber um impulso do lado do financiamento por duas novas vias: primeiro, o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social lançou duas linhas de crédito, Invest+ e Microinvest, com garantia mútua e bonificação de taxas de juro, que somam 100 milhões de euros dirigidos aos desempregados e aos jovens à procura de primeiro emprego; segundo, o governo disponibilizou 10 milhões do programa Compete para incentivar investidores informais, os chamados business angels, a apostar em novos projectos.

Os planos de negócios das marcas incluem metas de rendibilidade para os franchisados que chegam muitas vezes aos 30%, embora precisem de ser ajustados ao longo da vida do projecto. A recuperação do investimento inicial "é variável de marca para marca e depende do nível de investimento e da capacidade de o negócio gerar cash-flow. Em média, a recuperação do investimento faz-se entre 18 a 24 meses", estima António Godinho, do grupo Onebiz, que tem 400 franchisados, dos quais 50 fora de Portugal.

Risco controlado Uma das vantagens do franchising é o risco controlado, porque se trata de um modelo parametrizado com provas dadas no mercado. "Os maiores problemas acontecem em redes com menos de cinco anos", explica a directora do IIF. Todavia, para alguns empreendedores, essa vantagem é, na verdade, uma desvantagem, porque significa que têm pouca liberdade para inovar e há muita dependência em relação ao franchisador.

Para minimizar os perigos, o potencial franchisado tem de fazer o trabalho de casa, como recolher informação e falar com outros franchisados. A revista "Negócios & Franchising" elege anualmente as marcas que melhor apoio prestam aos seus parceiros. Neste ano, a McDonald's voltou a ganhar, seguida pelas redes de mediação imobiliária Century 21 e Re/Max e a Mr. Electric, no negócio das reparações eléctrica.

A visita a feiras da especialidade é aconselhada. A próxima, a Franchise Show, será na Exponor, no Porto, a 7 e 8 de Novembro. Contará com cerca de 60 expositores e os organizadores prevêem receber 3 mil visitantes. A Expo Franshise, que acontece em Lisboa normalmente em Maio, tem mais adesão: a última teve 140 expositores e mais de 7 mil visitantes.

Susana Carvalho, da Monceau Fleurs no Porto, recomenda aos potenciais interessados em serem franchisados que "procurem compreender o que é o franchising", já que muitos avançam sem terem todos os conhecimentos necessários. Susana está satisfeita com o seu negócio de florista e já está a pensar em arrancar para a próxima unidade.


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