Tecnologia

Google Books pode ficar na prateleira

por Ana Rita Guerra, Publicado em 01 de Outubro de 2009   
A Google arrisca uma multa de 15 a 20 milhões de euros, em França, por violação de direitos de autor
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Depois de ter assinado um acordo de 86 milhões de euros para satisfazer as editoras de livros nos Estados Unidos, a Google está em apuros na Europa por causa do tão badalado Google Books. A gigante de internet arrisca-se a uma multa de 15 a 20 milhões de euros em França por violação de direitos de autor e vai ter de enfrentar a contestação da Associação de Editores e Livreiros da Alemanha, que pediu à Comissão Europeia que escrutinasse o projecto.

Estes obstáculos são uma péssima notícia para a empresa de internet, que iniciou a babilónica tarefa de digitalizar todos os livros do mundo em 2004 e já investiu milhões de euros no projecto. Embora tenha conseguido chegar a acordo com as editoras norte-americanas, através do acordo Book Rights Registry, a Google está a ser questionada pelo Departamento de Justiça e acusada por empresas como a Microsoft e a Amazon de que pretende construir um monopólio.

"Em nenhum caso a Google assina acordos de colaboração que pressuponham exclusividade para qualquer das partes", contesta o responsável europeu da Google, Luis Collado, numa entrevista exclusiva ao i. "Aquilo que a Google faz, qualquer outra empresa ou instituição pode fazer", continua Collado, sublinhando que tudo foi feito com a maior transparência: a tecnologia usada para a digitalização tem patente registada e é pública e as condições de participação de autores e editores estão na página Web.

Mas o que preocupa empresas rivais e editores europeus não é a tecnologia. O Google Books será uma espécie de biblioteca virtual onde os utilizadores poderão ler gratuitamente até 20% dos livros. Se quiserem ler o texto integral, poderão fazê-lo nas bibliotecas nacionais ou universitárias dos Estados Unidos. Se quiserem comprar a obra, a Google fornecerá um sistema de pagamento e download a partir do computador pessoal.

É aqui que a polémica se adensa: segundo os críticos, a Google irá lucrar injustamente com a venda destes livros. O projecto será tão grande que inviabilizará a entrada de outras empresas em serviços semelhantes. Além disso, a Google poderá disponibilizar os chamados "livros órfãos", que saíram de circulação e dos quais não se conhecem os detentores do copyright. Luis Collado, que veio a Portugal negociar com a Leya, de Pais do Amaral, e com a biblioteca da Universidade de Coimbra, discorda: "A digitalização de livros abre um novo espaço de divulgação (e possível mercado comercial) a milhões de livros que, estando fora do circuito comercial, não estavam facilmente ao alcance das pessoas a quem poderiam interessar."

Está marcada para 7 de Outubro uma nova audiência nos EUA, enquanto em França se espera uma decisão final em Dezembro.


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