Será um golpe de Estado?

por André Macedo, Publicado em 30 de Setembro de 2009   
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NA FORMA, o discurso de Cavaco Silva é perfeito, bem escrito, razoavelmente dito, emocional, patriótico e pessoal. Quase apetece acreditar nele. Na substância é o oposto: contraditório, vago, ambíguo e politicamente explosivo. A resposta que o país exigia ouvir da boca do Presidente da República não precisava de 1082 palavras - o equivalente a duas páginas de jornal - e a 10 minutos e 25 segundos de directo televisivo. O excesso de palavras só se justifica porque Cavaco fez tudo para fugir ao essencial. O Palácio de Belém foi "vigiado" e "escutado" por "dirigentes do PS", como se interrogou (acusou) o assessor de Cavaco Silva na edição de 18 de Agosto do "Público"? Sim ou não? Quarenta e dois dias depois de lançar a bomba, o Presidente insiste nos ziguezagues à beira do precipício. Nem sim, nem não: nim. Ficámos a saber que Cavaco não autoriza ninguém a falar por ele, nem sequer o assessor de imprensa Fernando Lima, pago precisamente para essa finalidade. Mas a falta de autorização específica para falar da "vigilância" e das "escutas" significa que se tratou de um delírio de tão experiente e próximo assessor (tão próximo que, apesar da tempestade, continua a trabalhar em Belém?). Cavaco avança e recua, não esclarece. Pior, interroga-se: "Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus emails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?" De novo as interrogações. A mesma estratégia usada pelo assessor Lima. As dúvidas - perguntas retóricas? - são a arma assassina do Presidente. Dizem sem dizer, afirmam perguntando, acusam insinuando. O Presidente sabe o que está a fazer ao país ou, como diria Fernando Lima, será que alguém quer promover um golpe de Estado? Director-adjunto


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