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Quem quer parecer bilionário por um dia?

por Clara Silva, Publicado em 30 de Setembro de 2009   
Não compre, alugue. Há ilhas, roupa, malas e até Ferraris. Hoje um Porsche, amanhã um Maserati, conheça o clube de carros de luxo
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Já imaginou chegar ao trabalho num Ferrari descapotável e ver a cara de espanto dos seus colegas quando no dia seguinte estacionar no mesmo sítio um Maserati? Ou deixar o trânsito parado, de óculos escuros ao volante do carro de James Bond, um Aston Martin DBS?

Em Portugal há um clube de carros de luxo, onde é possível trocar de automóvel como quem muda de roupa, ou de estado de espírito. Nos fins-de-semana soalheiros pode ir buscar um carro desportivo com tecto de abrir e fazer uma longa viagem. Durante a semana mais cinzenta impressione o trânsito infernal com o último modelo de um carro mais clássico.

A Overstep abriu em Junho deste ano e tem uma frota de fazer inveja a qualquer um. Mesmo à mais recheada garagem de um milionário. São sete carros, qual deles o melhor: dois Ferraris (um Scaglietti e o modelo mais recente do descapotável California, único em Portugal), dois Aston Martin (DBS e DB9), um Maserati, um Audi R8 e, como se não bastasse, um Porsche Turbo Cabrio.

Mas os carros não estão à venda. "Não somos um stand. Somos um clube de carros de luxo", sublinha António Azevedo, director-executivo da Overstep, que "empresta" carros, mediante o pagamento de uma quota anual. "São 15 mil euros por ano, que são transformados em pontos para utilizar as viaturas", explica. "Os pontos variam consoante a altura do ano e o modelo do carro. Durante o Verão e aos fins-de-semana valem mais."

Nem todos têm 15 mil euros para satisfazer as suas extravagâncias automobilísticas e o mais rentável é comprar uma miniatura destes modelos e limpar-lhe o pó na estante da sala. Mas para os verdadeiros amantes de automóveis compensa aderir ao clube. "Estes carros custam em média 300 mil euros, mais os custos de seguro e manutenção. Além disso desvalorizam sempre", diz António Azevedo. "Aqui as pessoas usufruem de carros diferentes e sempre novos, sem grandes investimentos."

A ABRIR NUM MASERATI

Gonçalo Avillez Pereira, gestor de 47 anos, foi dos primeiros a aderir ao clube, que considera "perfeitamente adaptado a quem gosta muito de automóveis". Assim que arranjou tempo, trocou o seu habitual Jaguar por um Maserati e foi até ao Algarve. "Quando dei por mim na auto- -estrada, já estava muito além da velocidade aconselhável", ri--se. "Mas estes carros são dos mais seguros. É um prazer guiá--los e há diferentes para todas as estações do ano", acrescenta.

SUL DE ESPANHA NUM FERRARI
Nuno, de 49 anos, membro da Overstep desde Agosto, concorda que o mais difícil é não ultrapassar a velocidade de 120 km/h na auto-estrada. Já experimentou o Aston Martin descapotável e o Porsche Turbo Cabrio, mas o seu preferido é sem dúvida o Ferrari 612. "Nas bombas de gasolina toda a gente fica a olhar. Eu próprio olharia se parasse um carro destes ao meu lado", diz. "Quando conduzimos é difícil não ter receio por sabermos o que valem." Foi por isso que aderiu ao clube, "para experimentar carros que nunca poderia guiar e pagar apenas a gasolina". Além da anuidade de 15 mil euros na Overstep, claro. "Mesmo quem tem um Ferrari só sai com ele ao fim-de-semana. É preciso ganhar muito dinheiro para guardar um na garagem e dar-lhe pouco uso", acrescenta Nuno.

Para o gestor de empresas, o melhor é combinar com dois amigos, pegar na mulher e nos filhos e ir passar o fim-de-semana fora. Sem esquecer o carro topo de gama. "O conforto destes carros ultrapassa tudo o que se possa pensar, e pode-se ir passar uns dias calmos e diferentes ao Sul de Espanha", afirma. "Se calhar há membros do clube que gostam de andar a mostrar o carro por Lisboa. Eu prefiro passear em sítios onde ninguém me conhece."

AS REGRAS DO CLUBE

Com quatro meses de existência, a Overstep tem quase tantos membros (dez, e todos eles homens), como carros (sete). Para atrair mais clientes, promete renovar a frota de carros que descansa no "Lounge", o nome do stand, na Rua de Santana à Lapa, em Lisboa, decorado com frases de Picasso, Franklin D. Roosevelt e Shakespeare. "No máximo os carros estão disponíveis durante dois anos. São todos comprados por nós com zero quilómetros", diz António Azevedo.

À anuidade de 15 mil euros correspondem 625 pontos. Um sábado ao volante de um Ferrari em época alta (de Maio a Outubro) custa 26 pontos, enquanto levar um Audi R8 para o trabalho no Inverno custa apenas dez pontos. "Há também um limite de idades, a partir dos 30 e até aos 70, mas depende do à-vontade a conduzir." E para que não haja acidentes com o carro há que deixar uma caução avantajada: 2500 euros.



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