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Squash: surgiu numa prisão e libertou uma paquistanesa - vídeo

por Mariana Pinheiro, Publicado em 30 de Setembro de 2009   
Maria Toor Pakay é uma campeã improvável. Nasceu num lugar onde as mulheres não têm direito a ir à escola
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É uma estranha forma de vida, de ataques suicidas tão banais como ir ao quiosque comprar o jornal ou fazer uma pausa para o almoço. Em Waziristão do Sul, região fronteiriça entre o Paquistão e o Afeganistão, conhecida como a casa dos talibãs, a vida é quase um bem inútil, especialmente a das mulheres. Sob as pesadas leis talibãs são poucas, ou quase nenhumas, as que se atrevem a ir à escola com medo das represálias, e praticar um desporto é coisa que nem lhes passa pela cabeça.

Maria Toor Pakay teve sorte. Hoje é líder no ranking de squash paquistanês e é a 91.a na classificação mundial. O pai não compactuou com as leis severas do país e, encandeado pelos holofotes das cadeias de televisão de todo o mundo, repete incansável o sacrifício que fez pelo seu rebento de 18 anos. "Ela era diferente, percebi isso desde o início e não queria que o seu talento fosse desperdiçado. Se a tivesse mantido na vila, tudo o que ela poderia fazer eram trabalhos domésticos", dizia Wazir de turbante na cabeça, que contrastava com o lenço bem ocidental da filha. "Se as pessoas pegassem em raquetes, em vez de pegarem em armas, talvez a paz no mundo fosse possível", continuou, convicto e sem medo de represálias.

"Quando era mais pequena, se alguém me gritasse, eu batia--lhe. Especialmente aos rapazes, queria que eles me obedecessem a toda a hora", diz Maria, muito séria, "talvez o gosto pelo squash venha daí". "Tenho um pai maravilhoso, com uma mente muito aberta. As raparigas no Paquistão não têm futuro, passam a vida enclausuradas entre quatro paredes. A capacidade de fazerem grandes coisas, fica destruída. Por isso, já que tive oportunidade, quis ser um exemplo para as mulheres paquistanesas", explica, acrescentando com uma certeza irrevogável que é a "melhor jogadora de squash do mundo".

Maria começou a jogar aos 12 anos, altura em que usava o cabelo cortado à rapaz para poder ser confundida com um deles, e Wazir, o pai, decidiu mudar de cidade para lhe dar um futuro melhor. Mudaram--se para a capital da região, Peshawar. Um mês depois Maria foi campeã de sub 13, e nos anos seguinte campeã de sub 15 e sub 17.

Nem tudo tem sido fácil para a jovem paquistanesa. A falta de recursos e patrocínios complica bastante a progressão na carreira, mas Maria não está preocupada, afinal está entre as 100 primeiras do mundo. "Sempre acreditei que podia ser imbatível. E desde o primeiro dia que pratiquei squash pensei ser campeã do mundo", relembrou. Campeã nacional já é, falta conquistar o mundo e ser protagonista de um filme de Hollywood. Um outro sonho para cumprir.


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