Legislativas
CDS. Portas subiu de divisão e quer entrar noutro campeonato
Publicado em 28 de Setembro de 2009
Bloco de Esquerda também reclama vitória e anuncia "um novo dia para a esquerda portuguesa"
Ouvindo Paulo Portas, ninguém diria que foi Sócrates a ganhar as eleições. Esperou que todos discursassem e fechou a noite a anunciar que, com o melhor resultado dos últimos 26 anos, "o CDS passou a disputar outro campeonato". Garante que os 21 deputados eleitos não se vão desviar um centímetros do "caderno de encargos" que deu o terceiro lugar ao partido, permitiu ganhar dimensão "nacional" - elegendo em Coimbra, Faro e Madeira - e conquistar 20% dos eleitores que votarem pela primeira vez. Depois de conseguir provar que 10,4% do país pensa como ele, acordos com o PS, só se houver aproximação às ideias centristas. "Vamos avaliar as propostas dos outros e compará-las com as nossas", afirmou o líder. Mas se o PS quer uma maioria absoluta, só o conseguirá com o CDS.
O partido tinha cinco objectivos, resumidos a três. Chegar aos dois dígitos, ficar à frente "da esquerda radical" e conseguir uma maioria à direita. Só não cumpriu o último, porque não dependia apenas de si próprio. Depois do descalabro de 2005, é o partido com mais motivos para comemorar. Ganhou ao arqui-rival Francisco Louçã com um sprint na recta final. Mas Portas garante que a esta não foi a meta, é só a linha de partida. E a Juventude Popular gritou: "Portugal já merece um governo CDS". Por enquanto, será "a melhor oposição".
Quando Manuela Ferreira Leite proclamou que "o PS perdeu a maioria absoluta", ouviram-se palmas no Caldas. Não para o PSD, mas para os próprios centristas. Se não há uma maioria à direita, a culpa é do PSD. Pires de Lima, presidente da comissão nacional, afirma que o "resultado histórico" foi feito "à custa do PS, que perdeu votos para todos os partidos, menos para o PSD". O CDS "fez o seu trabalho de casa e tudo ao seu alcance para conseguir uma maioria não socialista". Já o PSD "não".
A vitória de Portas foi sobre "o radicalismo". Uma alusão ao Bloco de Esquerda, mas sem eco junto de Louçã: o coordenador bloquista festejou o "crescimento de 200 mil eleitores" do BE e sublinhou o atingir da meta de "mais de 500 mil votos". "Nada será como dantes. Este é um novo dia para a esquerda portuguesa", defendeu, convicto de que a "arrogância" do governo PS terá agora de confrontar-se com "mais diálogo".
Jerónimo de Sousa também encarou o resultado da CDU como "um estimulante sinal" e entendeu a perda de maioria absoluta do PS como "uma condenação política" ao governo. Com Adriano Nobre
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