Legislativas

Portugal não pensou duas vezes e fugiu do bloco central

Publicado em 28 de Setembro de 2009   
Madeira dá pela primeira vez deputados a três partidos. Bloco conquista carimbo oficial de alternativa à esquerda do PS
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O Bloco de Esquerda assumiu-se oficialmente como a alternativa à esquerda do PS, abandonando a condição de satélite da esquerda cosmopolita. Além de Lisboa, Porto e Setúbal, onde elegeu deputados em 2005, Louçã convenceu os eleitores de Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Santarém e Leiria a elegerem um deputado. Não satisfeito, ainda reforçou o peso do BE em Lisboa (5) e Porto (3), onde tinha conseguido quatro e dois mandatos em 2005. Apesar do resultado, Louçã teve um pequeno dissabor. Não conquistou o bronze que as sondagens de Setembro lhe atribuíam.

Essa pequena vitória ficou com Paulo Portas, que voltou a surpreender face às sondagens. O CDS conseguiu algo histórico: elegeu um deputado na Madeira, arquipélago onde nunca antes outro partido, além de PS e PSD, tinham conseguido um mandato. Além disso, Paulo Portas levou o CDS a conquistar, pela primeira vez, um deputado em Faro, e Coimbra, intrometendo-se assim no mar vermelho que ia envolver os dois partidos do centrão. Portas consegue ainda superar pela primeira vez os 10% de votos.

Jerónimo de Sousa e a CDU mantiveram os resultados em linha com 2005, superando mesmo os 14 deputados. Mas no final do dia acabou por falhar a afirmação como a alternativa à esquerda do poder. O mesmo resultado valeu-lhe o quinto lugar. O novo deputado dos comunistas veio de Setúbal, onde a CDU elegeu quatro - mais um que em 2005 -, pequena vitória conquistada à custa dos socialistas, que apenas conseguiram sete mandatos em Setúbal, contra os oito das primeiras legislativas de Sócrates. Aliás, este deputado ganho em terras do Sado foi a única mudança registada nos deputados da CDU. Nos restantes distritos, e medindo em eleitos, os comunistas repetiram 2005 a papel químico.

Quem roubou o quê? Além do deputado perdido para os comunistas em Setúbal, Sócrates foi também penalizado no distrito de Vila Real - que voltou a ser laranja e deu o quinto deputado a Ferreira Leite -, Porto (menos dois para 18) e Lisboa, onde perdeu quatro mandatos, três para PSD, CDS e Bloco, e o quarto à conta da redução de deputados eleitos pela capital. Em Aveiro, Sócrates perdeu dois assentos - um para os laranjas, outro para Portas -, tendo este sido um dos distritos que o PSD reconquistou. Além de Aveiro, Ferreira Leite recuperou Viseu, Vila Real e Bragança.

Com alguns distritos a voltar às mãos dos laranjas, Manuela Ferreira Leite fechou a noite eleitoral de ontem com mais seis deputados do que aqueles que foram conquistados em território nacional por Santana Lopes, em 2005. Foram 78 contra 72, ou seja, abaixo dos deputados conquistados em Portugal pelo Bloco de Esquerda (passou de oito para 16) e pelo CDS-PP (passou de 12 para 21). Um sinal claro de que o PSD falhou enquanto alternativa a José Sócrates, tendo visto muito do seu eleitorado fugir para Paulo Portas.

Com quatro mandatos por atribuir, pode já dizer-se que este foi o terceiro pior resultado conquistado por PS e PSD em conjunto. No máximo contarão com 178 deputados, pior registo desde 1985.


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