"Eu, pessoalmente, queimaria todos os livros israelitas que encontrasse numa biblioteca." A declaração é de Farouk Hosny, ministro da Cultura do Egipto há mais de vinte anos, conhecido pelo seu sólido currículo de declarações anti-semitas, actos censórios e atentados aos direitos das mulheres. O poeta alemão Heinrich Heine escreveu que "onde se queimam livros, acabarão por se queimar pessoas". A história, infelizmente, foi-lhe sempre dando razão.
E não é possível não recordar a história quando o governo português apoia Farouk Hosny para director-geral da Unesco.
No fim, ironia do destino, o candidato egípcio, contra as expectativas, acabaria por ser derrotado pela candidata búlgara. Claro que a culpa da derrota foi das forças sionistas.
Do pouco que se sabe, o voto português teria como troca o apoio egípcio à candidatura de Portugal a um lugar não permanente no conselho de segurança da ONU para o biénio 2011-2012. Não sei se será exactamente assim, mas o que sei é que a diplomacia portuguesa revela uma tendência incansável para ser mais realista que os realistas. Sofremos da síndrome dos bons alunos, mas sem benefícios e à custa de princípios inegociáveis. E se há alguma coisa inegociável é não tolerar quem pondera queimar livros. Politólogo




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