A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos esclareceu hoje que as declarações prestadas quarta-feira à Lusa sobre as farmácias instaladas nos hospitais "apenas quiseram servir de alerta" para a situação insustentável daqueles estabelecimentos.
Na quarta-feira, Elisabete Faria acusou as farmácias instaladas em hospitais de "concorrência desleal" e declarou que estas apenas conseguem dar margens de 30 por cento às unidades se recorrerem a meios ilícitos, como a venda de medicamentos contrafeitos.
Hoje, a responsável assegurou que as suas palavras "apenas quiseram servir de alerta para uma grave situação de insustentabilidade financeira que afecta as farmácias comunitárias em ambiente hospitalar, podendo assim inviabilizar a qualidade e o rigor do desempenho profissional dos seus farmacêuticos".
Afirmando que "em momento algum" colocou em causa a classe profissional do farmacêutico, "especialmente da especialização de farmacêutico comunitário", Elisabete Faria acrescentou que a segurança dos medicamentos vendidos nas farmácias comunitárias "é reconhecida" por si e "por todos os farmacêuticos".
Em comunicado, a bastonária afirma, todavia, que o quadro normativo que conduziu à criação das farmácias comunitárias dentro dos hospitais foi prosseguido de forma muito precipitada e também por isso foi mal regulamentado", o que só recentemente foi corrigido.
"Também a excepção aplicável às farmácias instaladas dentro dos hospitais relativamente às normas que condicionam a distância geográfica a respeitar entre as restantes farmácias comunitárias se confirmou injustificável, sem benefícios para os interessados, incluindo doentes e farmácias vizinhas", lê-se na nota.
As declarações proferidas quarta-feira pela bastonária foram consideradas “gravíssimas” pelo concessionário da farmácia instalada no Hospital de Santa Maria, para quem Elisabete Faria pretendia “prejudicar estas farmácias” e “abalar a confiança da população”.
Também o candidato a bastonário da Ordem dos Farmacêuticos Carlos Maurício Barbosa classificou de graves e irresponsáveis as afirmações da bastonária, enquanto o Infarmed exortou a responsável a comunicar qualquer informação concreta que tenha sobre o que denuncia.
A instalação de farmácias privadas nos hospitais públicos, cuja legislação foi publicada em 2006, mereceu, desde o início, críticas da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e da Ordem dos Farmacêuticos.




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