Fidel pediu à União Soviética que lançasse ataque nuclear aos EUA na década de 1980
Publicado em 24 de Setembro de 2009
Estudo do Pentágono revela que os soviéticos procuraram a supremacia nuclear mas quiseram evitar o recurso a bombas a todo o custo
No início da década de 1980, e de acordo com documentos divulgados recentemente, Fidel Castro tentou instigar a União Soviética a lançar um ataque nuclear contra os Estados Unidos, até que Moscovo o conseguiu dissuadir, explicando-lhe, pacientemente, que a nuvem radioactiva também devastaria Cuba.
A Guerra Fria estava, na altura, numa das fases mais tensas. O presidente Ronald Reagan, que tinha encetado um programa de reforço de armamento no valor de muitos milhões de dólares, apelidara a União Soviética de "império do mal" e ordenara inúmeras explosões atómicas sob o deserto do Nevada com o objectivo de desenvolver novas armas. Alguns assessores de Reagan falavam em travar e vencer uma guerra nuclear.
Dezenas de livros alertavam para o facto de as políticas de Reagan ameaçarem pôr fim a grande parte da vida na Terra. Em Junho de 1982, uma milhão de manifestantes reuniu-se no Central Park, em Nova Iorque.
Barack Obama, na altura estudante da Universidade de Columbia, ficou preocupado com a ameaça nuclear e escreveu, mais tarde, como estudante e jornalista, sobre formas de se evitar a aniquilação global. O futuro presidente não tinha noção, sequer, de metade do perigo.
Recentemente, o National Security Archives, um grupo de investigação privado sedeado na Universidade de George Washington, divulgou documentos que revelam pormenorizadamente a ameaça nuclear. O estudo "As Intenções dos Soviéticos, 1965-1985", encomendado pelo Pentágono, em 1995, está reunido em dois volumes e baseia-se em longas entrevistas a oficiais de alta patente do exército soviético.
Foram necessários dois anos para que o National Archives conseguisse que o Pentágono autorizasse a publicação. Depois de algumas passagens sobre testes nucleares e efeitos das armas serem suprimidas por decisão dos censores, o National Security Archives pôs uma versão editada do estudo no seu site da internet.
O estudo do Pentágono atribui esta revelação sobre Cuba a Adrian A. Danilevich, um general do Estado-Maior General das Forças Armadas soviéticas entre 1964 e 1990 e coordenador da equipa de oficiais que escreveu a versão final do guia de referência sobre planeamento estratégico e nuclear da União Soviética.
O general é citado no estudo como tendo dito, nos inícios da década de 1980, que Fidel Castro "tem feito grande pressão para que a União Soviética tenha uma atitude mais dura face aos Estados Unidos, chegando ao ponto de sugerir possíveis ataques nucleares".
O alto comando, prossegue Danilevich, "teve de o dissuadir dos seus intentos, sublinhando as consequências ecológicas que um ataque soviético aos Estados Unidos iria ter sobre Cuba".
Essa informação, conclui o general, "alterou, consideravelmente, a atitude de Castro".
Os esforços de Moscovo para explicar a Fidel Castro o caos inerente a uma guerra nuclear figuram entre os documentos tornados públicos. O estudo revela ainda que os soviéticos procuraram atingir a supremacia nuclear mas, ao "se aperceberem das consequên- cias devastadoras de uma guerra nu-clear," consideraram que o uso de armas nucleares tinha de ser evitado "a todo o custo".
O estudo inclui uma crítica feroz às análises que os americanos fizeram das intenções dos soviéticos, afirmando que o Pentágono cometera um erro, "sobrestimando a agressividade dos soviéticos".
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