Pequenos partidos
MEP. Afinal há um partido em que as pessoas são mais felizes
Publicado em 24 de Setembro de 2009
Festas à noite, viagens num megaautocarro e directas para conquistar votos. Assim se vive no MEP
Slides com sorrisos exóticos. Crianças e velhos de África, Índia, Brasil, Vietname. Acções de voluntariado. À frente, candidatos, militantes e amigos do Movimento Esperança Portugal (MEP) dançam ao som dos ritmos de Bollywood, kizombas e hits nocturnos da silly season 2009, na festa "Mudar o Mundo" no BBC, em Lisboa. As letras MEP nas T-shirts ou nos autocolantes colados às camisas engomadas cintilam como pirilampos. Só Rui Marques, presidente do Movimento, não se atreve a fazer-se à pista.
Quem disse que a política tem de ser chata e as campanhas o do costume? Na corrida às legislativas, o MEP não dispensou as arruadas, os hinos e os panfletos, mas reclamou também iniciativas cor-de-rosa para um partido que diz ter - e repete - um ADN positivo. Eis o resultado: festas descontraídas - à porta aberta - com uma "mensagem positiva de homenagem ao voluntariado".
Na manhã seguinte - a de ontem - ninguém desmobilizou. Depois da entrega de mais um prémio "Portugal no seu Melhor" à CEBI (Fundação para o Desen-volvimento Comunitário), a campanha seguiu no autocarro de 40 lugares, forrado a vinil com a sigla MEP, para a Praça de Londres. "Este autocarro é uma plataforma logística. É daqui que comunicamos com o mundo", diz um dos militantes com a T-shirt verde do partido, enquanto actualiza o site do MEP no portátil. Há mesas abertas entre os bancos para facilitar o trabalho. Portáteis. Impressora. E até uma Nespresso. O açúcar já voltou mas já não há cápsulas de café. Militantes ambulantes num outdoor em movimento. Foi assim até agora na campanha. E assim será até à maratona de 24 horas non stop que arranca hoje.
"Um dia como o de hoje nunca se fez em campanha eleitoral", frisa Rui Marques mal arregaça as mangas e puxa o portátil para o colo. "24 horas sem parar, esperando chegar vivos ao fim", brinca. O MEP vai andar pelo Hospital de Santa Maria e, madrugada dentro, pela PSP, recolha do lixo, aeroporto, bombeiros, Carris, padaria. Vinte e quatro horas depois do arranque tudo acaba à porta da Assembleia da República. Porque Rui Marques não suporta mais ouvir as pessoas dizerem que "o que era preciso neste país era outro Salazar": "Também é preciso confiar nos políticos. Este clima de suspeita permanente destrói os elos que nos unem."
E aos que dizem que o programa do MEP é feito de propostas etéreas "com a marca Laurinda Alves" e vazio de medidas concretas e soluções, Rui Marques responde: "Fomos o primeiro partido a apresentar o programa eleitoral. Temos 160 propostas com um grau de pormenor muito superior ao de qualquer outro partido. Provavelmente, as pessoas que dizem isso ainda não tiveram tempo de olhar para o nosso programa."
O orçamento de 350 mil euros foi conseguido com donativos dos membros do MEP e com um empréstimo. Um valor que é nada perante o orçamento dos grandes, mas tanto perante os módicos 1850 euros do POUS. Rui Marques justifica com dose de ironia: "Não temos mais dinheiro, endividámo-nos foi mais que os outros." E acusa: "Éramos não-políticos, arriscámos o nosso tempo, exposição e as nossas finanças. Qualquer um podia pedir um empréstimo, só que muitos nem sequer equacionam eleger um deputado."
Embalados pelos bons resultados das eleições europeias - 650 mil votos, sexta força política do país -, "esperança" é a palavra que mais repetem. Não duvidam que vão repetir ou melhorar a dose no domingo e que Rui Marques vai ter um lugar no Parlamento. "E muitos deputados vão aderir ao estilo dele. Se contagiou quem não faz política, mais facilmente vai contagiar os que já a fazem", lembrava à porta do BBC Nuno Frazão, cabeça-de-lista pelos Açores. Não se incluem no campeonato dos pequenos. "Como já disse um observador, fazemos parte da versão cinco mais um. Existem os cinco grandes, o MEP e depois existem os outros", diz Rui Marques.
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