Peso do crédito malparado sobe para recorde de dez anos

Publicado em 22 de Setembro de 2009   
Endividamento externo já subiu para 107% da riqueza nacional, mostra o Banco de Portugal
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O peso das dívidas de cobrança duvidosa das famílias e das empresas continua a subir, tendo atingido em Julho o valor mais alto dos últimos dez anos, mostram os dados publicados ontem pelo Banco de Portugal (BdP). O impacto da crise económica e financeira está também a travar, cada vez mais, o crescimento do crédito concedido em Portugal - em Julho desceu para 5,7%, menos de metade dos 12,4% de há um ano.

No caso das famílias, o malparado subiu em Julho para 2,7% do total de crédito concedido, o valor mais alto desde Setembro de 1998. Do total de 3,6 mil milhões de euros em dívidas de cobrança duvidosa, 28% (mil milhões de euros) estão relacionados com créditos ao consumo, apesar de esta categoria representar apenas 11,4% do crédito concedido - nesta categoria, o peso do malparado disparou para o valor mais alto desde que há registos (Dezembro de 1997). O crédito à habitação - que vale cerca de 80% de todo o dinheiro emprestado às famílias - tem o nível de malparado estabilizado.

A subida do desemprego é o principal factor apontado pelos economistas para explicar as maiores dificuldades das famílias para pagar os seus empréstimos. Na semana passada a OCDE indicou que o pior do impacto da crise no mercado de trabalho português ainda está por acontecer, sendo por isso natural que o peso do malparado continue a subir - e que o crescimento do crédito concedido abrande. "Nas famílias o crédito concedido está a crescer a um ritmo de 2%, um abrandamento muito considerável", aponta Teresa Gil Pinheiro, economista do Banco BPI. Há um ano crescia a 7,3%.

Nas empresas, a subida do peso do crédito malparado toca também níveis históricos: 3,7%, ou 4,3 mil milhões de euros, o valor mais alto em dez anos. A construção e as empresas de imobiliário explicam 55% deste valor - e são os sectores, juntamente com o comércio, onde são visíveis as maiores dificuldades.

Dívida externa dispara O boletim do BdP revela também o agravamento da tendência de crescimento da dívida nacional face ao exterior. Depois de ter quebrado em Março a barreira de 100% do produto interno bruto previsto para este ano, as dívidas ao estrangeiro subiram mais 7,8 mil milhões, atingindo 107% da riqueza nacional (em 2000 o peso chegava apenas a 36%). A dívida externa tem estado no centro da discussão sobre os investimentos públicos, um dos temas que têm dominado esta campanha eleitoral.



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