Eleições 09

Pela primeira vez, Sócrates fala da namorada

Publicado em 21 de Setembro de 2009   
José Sócrates continua a revelar pormenores da sua vida privada. Agora é a namorada que lhe escolhe a roupa. Estratégia ou acaso?
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Depois dos filhos, a namorada. Em entrevista ao "Diário de Notícias", José Sócrates falou ontem, pela primeira vez, na sua namorada, revelando que esta o aconselha na compra de roupa. Habitualmente bastante reservado, nas últimas semanas, o primeiro-ministro tem levantado o véu em relação a alguns aspectos da sua vida privada.

"Sócrates não faz nada por acaso. Depois das referências premeditadas aos filhos no programa do 'Gato Fedorento', surge isto", explica Rodrigo Moita de Deus, consultor da LPM Comunicação. "Tornar Sócrates mais humano ajuda-o, porque as pessoas tendem a perdoar quem lhes esteja mais próximo."

Estas declarações de José Sócrates são mais significativas tendo em conta que se está perante um dos primeiros-ministros mais reservados de sempre, que evita ser fotografado com os filhos ou outras pessoas próximas. Para Pedro Adão e Silva, Sócrates nunca usou a vida pessoal para fazer política. "Com a polémica que enfrentou na campanha de 2005, ter-lhe-ia sido vantajoso ser fotografado com os filhos ou com a namorada. Não o fez e isso é positivo", defende o politólogo.

A referência à companheira do primeiro-ministro está longe de ser novidade. Na biografia "Sócrates: O Menino de Ouro do PS", Edite Estrela, uma das poucas amigas próximas de José Sócrates dentro do partido, refere-se a Fernanda Câncio como namorada de Sócrates. Uma designação que, quando feita por outros, já valeu queixas de Câncio à Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas. "Sócrates sempre separou o plano político do pessoal e acho que esse comportamento se tem mantido", diz Edite Estrela ao i. "Ele não esconde, mas também não exibe."

Conhecida como uma jornalista de causas, Fernanda Câncio é grande repórter do "Diário de Notícias", depois de já ter passado pelo "Expresso" e "Grande Reportagem". Um episódio curioso aconteceu numa altura em que Fernando Lima, actual assessor de Cavaco Silva, era director do DN e terá impedido a publicação de uma crónica negativa de Câncio sobre Manuela Ferreira Leite. O que não deixa de ser irónico face ao actual contexto de guerra silenciosa vivida nos jornais entre Belém e São Bento.

No entanto, apesar das análises que possam ser feitas a estas revelações de Sócrates, o primeiro partido a usar Fernanda Câncio como argumento político foi o PSD e não o PS. Em Março de 2008, os sociais-democratas foram bastante criticados por terem dito que era inaceitável o convite que a RTP fez à jornalista para assinar uma série de dez programas. Convite esse que o vice-presidente do PSD, Rui Gomes da Silva disse, na altura, ter sido feito devido a um "relacionamento com o primeiro-ministro".

Contactada pelo i, Fernanda Câncio limitou-se a confirmar ter apresentado queixa contra mais que um jornal. E explica: "Não admito que me tratem com essa categoria [de namorada do primeiro-ministro]." Apesar de já terem sido vistos juntos em várias ocasiões, Sócrates e Câncio nunca admitiram a relação.

Em Janeiro de 2008, a jornalista escrevia assim sobre a relação entre Sarkozy e Carla Bruni: "Tristes tempos estes em que não aparecer de mão dada na capa das Paris Matchs e Lux é 'ser hipócrita' e em que, parece, que só há duas hipóteses: políticos sonsos ou exibicionistas, intimidades secretas ou completamente expostas."


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