Olga Zarubina, avó da menina russa que foi retirada à família adoptiva portuguesa, disse hoje à Lusa que a sua decisão de não se mudar para Portugal com a família é “definitiva e irreversível”.
Na semana passada, a avó de Alexandra esteve no Porto e em Braga a convite do grupo “Pela Alexandra”, organização que luta pelo regresso da menina russa a Portugal, para estudar no local as propostas feitas por autarcas e homens de negócios portugueses à família Zarubina.
Entre as propostas, estava a oferta de um apartamento pela autarquia portuense, de um café para Natália, mãe biológica de Alexandra, explorar e apoio económico à mudança da família Zarubina da Rússia para Portugal.
“Não quero ir para lado nenhum, para um país estranho, a minha pátria é a minha casa e a minha família irá continuar a viver aqui, em Pretchistoe”, declarou, por telefone, à Lusa Olga Zarubina.
A avó de Sandra recusou-se a compartilhar as impressões da sua viagem a Portugal, repetindo constantemente que “o não é definitivo”, “não saio daqui para lado nenhum”.
Esta posição é compartilhada por Natália Zarubina, mãe de Sandra.
“Não vamos para lado nenhum, vamos continuar a viver aqui. A Alexandra sente-se bem e tudo irá correr da melhor forma”, afirmou.
Natália revelou à Lusa que Aleksei, seu namorado ucraniano que trabalhava em Portugal, se juntou, há alguns dias à família Zarubina na aldeia de Pretchistoe.
“Ainda não posso dizer quando será o casamento, porque ainda falta tratar da papelada, mas tudo irá ser resolvido”, acrescentou.
Olga e Natália afirmaram desconhecer a decisão, tomada na véspera, pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, de ordenar ao procurador-geral e ao comissário para os Direitos da Criança que “analisassem" o emprego da legislação sobre protecção dos menores, nomeadamente quando do divórcio dos pais ou quando vivam separadamente, como no caso de Alexandra Zarubina.
Segundo o diário Komsomolskaia Pravda, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, decidiu “esclarecer a essência e as causas dos dramas familiares que há vários anos chamam a atenção da opinião pública russa”.
“Não ouvimos falar disso, mas isso até pode ajudar a resolver alguns dos nossos problemas”, comentou Natália Zarubina.
Iúri Kudriavtsev, vice-presidente da Câmara Municipal de Pervomaisk, em cuja freguesia se situa a aldeia de Pretchistoe, admite a possibilidade de Alexandra ser retirada à família, devido ao comportamento da mãe.
“Estamos a pensar nisso, mas... olhe se nós dermos a guarda à avó, praticamente nada mudará. A mãe continua na mesma família... Vamos desterrar a mãe?”, declarou Kdriavtsev, numa entrevista à Rádio Liberdade.
“Essas declarações não foram feitas a rádio nenhuma, é tudo mentira. Eu telefonei para a câmara e disseram-me que ninguém tinha feito essas declarações”, frisou Olga Zarubina à Agência Lusa.
“Eles não têm razões para retirar a menina da nossa família”, concluiu.




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