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Sócrates promete novos ministros. Manuela recusa bloco central - vídeo

Publicado em 12 de Setembro de 2009   
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Foi o último debate antes das legislativas e colocou frente-a-frente, pela primeira vez, Manuela Ferreira Leite e José Sócrates.
No final, os candidatos mostraram-se satisfeitos com as prestações e sublinharam as diferenças relativamente aos programas de cada um dos partidos. Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social, SCUT, TGV e impostos foram os temas mais fracturantes.

Confiança
Para José Sócrates, "o que fala por um político é o trabalho feito. Fiz tudo o que devia, em nome dos portugueses, face a uma grave crise financeira. De maneira a que o estado pudesse ajudar as empresas e as famílias. Houve uma coisa que nunca esteve na nossa mente: ceder o interesse político ao interesse geral, de todos os portugueses. Tenho a vaidade do cidadão médio", disse o primeiro-ministro.
Manuela Ferreira Leite defendeu que a credibilidade "constrói-se ao longo de uma vida". A presidente do PSD detalhou: "A vida de estudante, académica, uma vida profissional intensa, exposição pública e vida política...essa credibilidade que fui construindo fala por si, e não se dissolve em dois minutos.", defendeu-se a líder do PSD.
Com o argumento de que não fala sobre processos judiciais em curso, Ferreira Leite justificou que Helena Lopes da Costa e António Preto são um ponto do qual não quis falar nos debates.
Na réplica, José Sócrates concordou que a credibilidade é construída ao longo da vida, mas disse também que "nunca devemos usar a verdade como se tivéssemos o estatuto de donos da verdade".
"Como é que depois aprova uma lista de deputados com Alberto João Jardim como cabeça de lista?", questionou José Sócrates. Ferreira Leite respondeu apenas "Eu disse que não admitia que um candidato fosse candidato a duas eleições simultaneamente".

Economia
Manuela Ferreira Leite justificou a existência de mais despesa do que receita no programa do PSD com a necessidade de alterar o modelo económico “porque senão os resultados vão manter-se de acordo com a política actual que tem sido seguida. Que tem como resultados, os que estamos a ver", disse.
"O engenheiro Sócrates apresenta como desculpa o facto de o país estar em crise",  prosseguiu Ferreira Leite,  afirmando que duvidaria do facto de Sócrates ser candidato a primeiro-ministro se o país não estivesse em crise.
Questionada sobre se continuava a achar que José Sócrates nada sabia de economia, Ferreira Leite disse que continua com dúvidas, sublinhando que por vezes, não percebe se o primeiro-ministro, a respeito de alguns assuntos, "não diz porque acha que não deve ou porque os assessores lhe disseram para não dizer".
José Sócrates respondeu com uma citação de Abel Salazar,  inscrita no pórtico da faculdade de medicina do Porto: "Quem só sabe de medicina, nunca será bom médico", acrescentando que "a virtude do sabedor é sempre a humildade, nunca a arrogância".
Face à crítica em relação a ajudas às PME e ao facto de Manuela Ferreira Leite ter alertado para a chegada da crise, o primeiro-ministro afirmou que " único conselho que me deu foi que talvez fosse melhor para o estado ficar de braços cruzados, à espera".
Manuela Ferreira Leite disse que Sócrates não tomou medidas, mas "acordos de princípio". Quanto à questão de Espanha,  e concretamente do TGV, a líder social-democrata disse: "Não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa".
José Sócrates lembrou que a decisão foi tomada em Conselho de Ministros, com o aval de Ferreira Leite.
 
Impostos
José Sócrates explicou o aumento de impostos quando foi eleito, apesar das promessas pré-eleitorais de não subir a carga fiscal. "Quando cheguei ao governo, aumentei o IVA e expliquei aos portugueses", disse o líder do PS.
Manuela Ferreira Leite quis responder à questão dos impostos: "Houve aumentos de impostos com os quais eu estou em total desacordo. Sobretudo em relação aos reformados. Sócrates aumentou todos os impostos. Todos".  "O problema das Contas Públicas de Portugal foi criado pelo governo de Guterres, do qual o senhor fazia parte", acusou a presidente do PSD.
Ainda assim, Manuela Ferreira Leite disse esperar "que a surpresa seja positiva, em relação ao que vamos encontrar. Espero poder reduzir a carga fiscal, sobretudo nos sectores mais necessários à nossa economia", disse Ferreira Leite, negando um possível aumento de impostos.
Sócrates respondeu que os impostos que Ferreira Leite quer alterar são os que ela mesma criou: PEC (Pagamento Especial por Conta)  e IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis).
Ferreira Leite criticou Sócrates e acusou-o de usar a mesma receita para qualquer circunstância. "Criei o PEC para combater a evasão fiscal, numa altura concreta". "Neste momento, considero que deve ser retirado, considerando a situação actual da máquina fiscal". Quanto ao IMI, deveria "ter sido revisto ao fim de três anos", declarou Ferreira Leite.
Na questão das SCUT, Sócrates acusou Manuela Ferreira Leite de “oportunismo político”.  Ferreira Leite diz não concordar com a cobrança de portagens "tendo em conta a situação tamanhamente pesada, essa hipótese não é possível". Sócrates afirmou que Manuela Ferreira Leite tem medo de perder votos, por isso mudou de opinião relativamente às SCUT.

Segurança Social
O oportunismo político foi a deixa para Manuela Ferreira Leite ripostar às críticas de Sócrates sobre ausência de ideias sobre a Segurança Social no programa do PSD: “Aí está uma grande situação de oportunismo político", ripostou Manuela Ferreira Leite. "Nós não vamos mexer na Segurança Social na próxima legislatura", acrescentou, dizendo que a Segurança Social é um "aspecto de tamanha importância que não podemos estar constantemente a mudar". Por isso, "nunca critiquei a reforma do PS. Porque fizeram alguma coisa nesse sentido", sublinhou.
Na resposta, quanto às políticas sociais, Sócrates falou por pontos: aumento do salário mínimo, aumento do apoio à natalidade, apoio solidário aos idosos, acesso aos medicamentos genéricos gratuito. "Isso desenvolveu as políticas sociais", defendeu Sócrates. "A isso, a senhora doutora chama fazer alguma coisa", lamentou.
"Quem está aqui a ser julgado é José Sócrates. Eu nunca fui primeiro-ministro. O senhor enumera um a um os apoios que dá às pessoas", respondeu Ferreira Leite. "Para mim a resolução dos problemas sociais está no desenvolvimento da riqueza. E o senhor faz exactamente o contrário. O senhor não desenvolve o país", criticou. 

Saúde
"Nestes quatro anos, o sistema de saúde melhorou, seja qual for o âmbito em que o analisemos", começou Sócrates. "Hoje há rede de cuidados continuados. O envelhecimento da população obrigou a esta mudança. Mas melhorámos em todos os domínios. Consultas, cirurgias.  No tempo de espera,  a mediana passou para metade."
Sócrates criticou o programa do PSD, dizendo que do programa não consta a expressão "Serviço Nacional de Saúde", considerando o facto como um dado "revelador".
Ferreira Leite defendeu-se. "Aquilo que está no programa é aquilo em que me proponho mexer. Duvido que o seu interesse pelo SNS seja superior ao meu. E no seu programa está 17 vezes", referiu.

 Educação
"O erro de Sócrates foi pensar que podia fazer reformas contra as pessoas", disse Ferreira Leite a propósito da reforma e do descontentamento dos professores. "A sua governação fica marcada pelo ataque contra a classe dos professores", um dano "irreparável" segundo Ferreira Leite. "Quando se quer fazer uma reforma contra aqueles que são agentes dessa reforma, não é possível fazê-la", analisou.
José Sócrates disse que o governo recuperou "de um erro histórico que a democracia cometeu", em matéria de ensino profissional. "Quanto às reformas e à avaliação: quem age pode cometer erros. Quem não age já os cometeu", sublinhou o primeiro-ministro.
Quanto à manutenção da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, na pasta da Educação, Sócrates respondeu "Um novo governo é um novo governo. Com novos ministros."

Bloco central
"É impossível entender-me com o engenheiro Sócrates", respondeu Ferreira Leite, confrontada com a possibilidade de um bloco central. "É como aquela pessoa que mata o pai e a mãe para dizer que é órfão", disse Ferreira Leite. José Sócrates lamentou o exemplo dado. "Que mau gosto", disse.
"Antecipar esses cenários [de uma maioria absoluta]  é uma falta de respeito. Devemos dizer o que podemos fazer e puxar pela energia dos portugueses", reafirmou Sócrates.
Já Ferreira Leite disse: "Não faço chantagem com o eleitorado nem estou convencida que é preciso uma maioria absoluta para governar o país".
O debate entre Ferreira Leite e José Sócrates encerrou um ciclo de dez confrontos divididos por três canais televisivos - RTP, SIC e TVI -, que colocou frente-a-frente os cinco candidatos a primeiro-ministro português.
José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas e Francisco Louçã vão a votos a 27 de Setembro.



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