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Geração do Erasmus não consegue sair de casa dos pais

Publicado em 12 de Setembro de 2009   
Geração pós-86 esbarra nos "direitos adquiridos", mas não culpa mais velhos
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"O desemprego tornou-se um dos principais problemas do país, e sem dúvida o principal da minha geração." A frase é de Henrique Oliveira, 26 anos, estudante de doutoramento de Engenharia, mas foi repetida por duas dezenas de jovens de todo o país, entre os 18 e os 28 anos, contactados pelo i. A insegurança no mercado laboral, onde é muitas vezes difícil conseguir um contrato, o preço das rendas e a qualidade da educação estão entre as principais preocupações dos mais novos. Muitos não culpam as gerações mais velhas, mas sim os partidos políticos, que acusam de distância ou de falta de soluções.

"Perdeu-se a estabilidade que os nossos pais tinham, de ter o mesmo trabalho uma vida inteira. Isso não é necessariamente mau, obriga-nos a estar mais preparados, mas há instabilidade pelas piores razões, começando pelos recibos verdes, que substituem contratos, pela difícil integração no mercado de trabalho na maior parte das áreas", afirma Pedro Pina, 22 anos, editor de um site de cultura. "No final, voltamos sempre à economia: a independência económica é uma miragem para muitas pessoas, e muitos dos que a conseguem continuam a depender dos pais para manter a qualidade de vida. Nesse aspecto creio que vivemos um retrocesso", acrescenta. Segundo a Ferve - Fartos Destes Recibos Verdes - o retrocesso dos recibos verdes afecta 900 mil pessoas em Portugal, cerca de um quinto dos trabalhadores.

Esta é a geração (pós-adesão à UE) não submetida à violência da Guerra Colonial - ou mesmo às condições difíceis do Portugal pós-25 de Abril - a geração da mobilidade do Erasmus, com uma identidade mais europeia. Contudo, é também o grupo de pessoas que enfrenta a pressão social do sucesso e, ao mesmo tempo, o bloqueio das gerações mais velhas (um fenómeno transversal a muitos países) e a dificuldade de conquistar a independência. "Nós fomos uma geração ganhadora em termos de mudança política", diz Anália Torres, 55 anos, presidente da Associação Europeia de Sociologia. "Hoje é muito diferente, mais individualizado: os jovens acham-se menos dependentes do colectivo."

Da adaptação a esta realidade resulta um Portugal a duas velocidades - os jovens de áreas ligadas à gestão, engenharias e medicina, por exemplo, em regra navegam melhor no mercado de trabalho. Muitos outros - de cursos novos ou clássicos como Arquitectura ou Letras, por exemplo - têm mais dificuldades.

A par do emprego e da educação há o problema clássico: sair de casa dos pais sem ter de comprar casa, algo difícil mesmo após a revisão da lei das rendas. "Há uns anos um amigo meu que viveu na Alemanha dizia que com 18 anos o Estado oferecia habitação durante os primeiros anos para assegurar a tua independencia", afirma Vasco Cartó, 25 anos, arqueólogo. "Não sei se ainda é assim, mas de facto pôr os jovens fora de casa dos pais é um grande incentivo à independência pessoal", afirma.


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