Portugal e Brasil vão reforçar a cooperação na área de defesa com membros mais pobres da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e ter uma actuação mais coordenada neste sector.
Esta posição foi acertada hoje, em Brasília, durante uma reunião entre os ministros da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, e de Portugal, Nuno Severiano Teixeira.
"Projectos que Portugal faz (em países da CPLP), não há necessidade de o Brasil fazer e vice-versa. Os projectos conjuntos são, basicamente, a recuperação de infra-estruturas militares, o fornecimento de fardamentos e equipamentos para as Forças Armadas e o apoio à dimensão naval de alguns países" , disse à Lusa o ministro português.
"Queremos coordenar estas acções, porque senão há sobreposição, há acções iguais. O entendimento é para termos complementariedade nas nossas acções em África", destacou, por seu turno, o ministro Jobim.
Os projectos a serem desenvolvidos conjuntamente serão apresentados em breve aos Governos de alguns países africanos de língua portuguesa.
A ideia, segundo fontes brasileiras, é de que haja também uma triangulação com Angola, o que projectaria a imagem deste país no continente africano.
Questionado sobre a situação da Guiné-Bissau, Severiano Teixeira considerou que o país deu, nos últimos meses, "passos importantes no sentido de estabilização política e constitucional", com as eleições e a tomada de posse do novo Presidente, Malam Bacai Sanhá.
O ministro português defendeu a reforma do sector de segurança de Guiné-Bissau, que passa pela desmobilização dos antigos combatentes, sua reintegração na sociedade com meios para que vivam com dignidade e o recrutamento de novos militares.
O segundo passo, segundo Severiano Teixeira, será ajudar a Guiné-Bissau a definir o modelo de Forças Armadas que quer ter.
Bilateralmente, Portugal e Brasil acertaram um enquadramento político-institucional à cooperação militar já existente entre as suas forças armadas.
"Vamos ter agora não só a cooperação militar que já existe entre os vários ramos das forças armadas, mas um enquadramento institucional, uma visão estratégica de futuro e uma reunião de seis em seis meses dos ministérios da Defesa dos dois países", revelou o ministro.
Instado pela Lusa a falar sobre o apetrechamento das Forças Armadas do Brasil, que inclui, entre outras, a aquisição de um submarino nuclear e quatro submarinos convencionais, e poderá abranger a compra de 36 caças Rafale da Dassault, Severiano Teixeira disse que Portugal vê com "bons olhos".
"O Brasil é hoje uma potência emergente a nível mundial e Portugal só pode ver com muito bons olhos. Esta emergência como potência tem que ter tradução do ponto de vista económico, diplomático, nomeadamente no que diz respeito à sua presença nas organizações internacionais, e, naturalmente, militar", disse.
O ministro da Defesa regressa a Portugal na sexta-feira, após proferir uma palestra sobre política europeia de segurança e defesa na Universidade de Brasília (UnB).




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