Entrevista

Mário Soares "Muita gente está indisposta com José Sócrates"

Publicado em 05 de Setembro de 2009   
Segundo Mário Soares, o Partido Socialista já não pode chegar à maioria absoluta. E "ninguém pode ter a certeza que vai ganhar. O próprio Sócrates não tem", confessa
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Mário Soares começou a escrever o seu testemunho político-ideológico. Vai chamar-se "Um Político Assume-se" e ainda só vai em 1949, a altura em que saiu do PCP. Mário Soares recebeu o i na sua fundação, na Rua de São Bento, mesmo em frente à Assembleia da República, acabado de chegar do Vau, no Algarve, onde nessa manhã tinha tomado um grande banho de mar. O ex-Presidente da República aproveitou as férias para trabalhar no seu testemunho político. A ideia surgiu-lhe quando trabalhava no seu último livro, "Elogio da Política", que ontem foi lançado em Lisboa. Falámos no dia em que se soube que a administração da Media Capital, detentora da TVI, tinha cancelado o "Jornal Nacional", de Manuela Moura Guedes. Mário Soares que, ao contrário da maioria dos socialistas, simpatiza com a ex-subdirectora de informação da TVI, recusa associar o fim do "Jornal Nacional" ao problema da liberdade de expressão. "Mas o que tem a liberdade de expressão a ver com isto? Não foi o governo que suspendeu o noticiário, foram os empresários!", diz ao i. Soares sabe que o PS já não terá maioria absoluta e nem sequer tem a certeza da vitória. Certeza só uma: com uma vitória do PSD e uma esquerda sociologicamente maioritária será aberta "uma crise violenta no país". "Dar a vitória à direita é um erro que a esquerda pagará muito caro." Com o i, Soares fala da infância, do seu gosto pela escrita, dos avós "cavadores rurais". Só não quer falar das supostas escutas a Belém: "Isso é baixa política."

Escreveu um livro para reabilitar a política num momento de descrédito. O que o levou a fazer isto?

Durante os anos do neoliberalismo, para simplificar, dos dois mandatos do Bush, houve uma propaganda sistemática para desacreditar a política, os políticos e os partidos. Mas, desacreditando-se os políticos e os partidos, desacredita-se também a democracia. E isso é péssimo.

Já tinha a ideia de lançar o livro na campanha eleitoral?

Não, isso não. Há um ano e tal fui procurado pelo António José Teixeira, director de uma nova colecção da editora Sextante, que me disse que queria um livro meu. Comecei a trabalhar o livro, mas com constantes interrupções. Tenho uma vida ocupadíssima. O trabalho da fundação, da Fundação Portugal-África, artigos, prefácios, etc., na altura tinha dois programas na televisão... Escrevo para o "El País", todos os meses, para o "Diário de Notícias" todas as semanas e para a "Visão". Fora os convites que aparecem para conferências... Tenho uma pilha de convites para Setembro e Outubro...

Continua sempre de um lado para o outro?

Estou a tentar travar o mais possível. O que eu gostava de fazer, nesta fase final da minha vida, era escrever bastante. Escrever porque nunca tive tempo para isso. Tenho o gosto da escrita.

Nunca pensou escrever um romance?

Pensei! Até comecei a escrever um romance quando estava na cadeia. Chegou a estar mais ou menos esboçado, em dois ou três capítulos... Chamava-se "Concordata", era um romance mais ou menos neo-realista, passado na classe média alta. Havia um personagem, da alta burguesia que era casado pela Igreja Católica e que se apaixonou...

Não era um romance político?

Não tinha a ver com política, mas com a luta contra a Concordata, que impedia o divórcio...

Começou a escrevê-lo no Aljube?

Escrevi uma parte no Aljube, a outra em Caxias, mas ficou a meio. Quando saí da prisão fui ter com o Barradas de Carvalho, de quem era muito amigo. Éramos praticamente irmãos, até ao fim, ele foi comunista, eu deixei de ser logo no começo do percurso. E também com o Carlos Oliveira, éramos os três muito amigos. Mas eu era ainda mais íntimo do Barradas do que do Carlos, porque ele tinha feito a universidade em Coimbra. Eles disseram que gostavam de conhecer o livro e combinámos um jantar. Fomos depois para casa do Barradas, que tinha um grande escritório. Comecei a ler o primeiro capítulo. Quando cheguei ao segundo, vejo primeiro o Barradas e depois o Carlos a dormir a sono solto! Adormeceram ambos! Eu fechei-lhes a luz e vim-me embora [risos]. Cheguei à conclusão final de que o romance não prestava. Eles tinham adormecido! Depois disseram que não, que estava cansados, tinham bebido ao jantar... Mas eu não continuei o romance. Também não estava muito satisfeito com ele e na altura tinha muitas outras coisas que fazer. Foi a única tentativa que fiz. Não sei onde tenho isso, mas tenho algures, porque eu nunca deito fora os meus papéis. Escrevi sempre coisas de vária natureza. Tenho 58 livros publicados. Tive uma vida tão rica, e continuo a ter, de contacto com tanta gente de várias categorias sociais e intelectuais, portugueses e estrangeiros, que gostaria de ainda escrever outros livros, retratos de pessoas, descrição de situações e eventos, reflexões várias...

E as suas memórias?

As memórias, não. As memórias são interessantes quando as pessoas viveram acontecimentos muito importantes. Um Churchill ou um De Gaulle. Mas não quando escrevem banalidades. Julguei--me sempre um cidadão comum, nada de excepcional.

Para muita gente é a pessoa mais importante da democracia...

Sou o que sou, tenho a consciência dos meus limites. Não vale a pena discutirmos isso. Tenho algumas qualidades, tenho alguns defeitos, como qualquer pessoa. Sou de origem camponesa. A minha mãe era uma senhora muito modesta da região de Santarém (Pernes) e o meu pai um homem também de proveniência humilde de Leiria. Os meus avós eram cavadores rurais.

Mas as pessoas julgam que o dr. Soares nasceu em berço de ouro...

Nasci num berço protegido, isso é verdade. Não nasci em berço de ouro, porque os meus pais não eram ricos, eram pobres. Quando veio o 28 de Maio, tinha eu dois anos, o meu pai era deputado pelo Partido Democrático (da dissidência Álvaro de Castro, mais à esquerda), era vogal do Conselho Superior de Finanças, actual Tribunal de Contas e era professor dos Pupilos do Exército. No dia seguinte, foi encerrado e extinto o Parlamento, deixou de ser deputado. Depois, foi demitido do Conselho Superior de Finanças. Dois anos depois, foi expulso dos Pupilos do Exército. O meu pai teve uma vida muito difícil.

De repente, ficou desempregado...

Não ficou desempregado porque ficou "empregado" como conspirador permanente! Foi logo preso, depois entrou na clandestinidade. Teve uma vida muito aventurosa. A última revolução em que o meu pai participou a sério foi a revolução de 26 de Agosto de 1931. Os republicanos perderam contra os situacionistas. Mas 1931 também foi o ano da República espanhola, de modo que o meu pai passou a vida a fazer a navette entre os conspiradores portugueses que estavam fugidos em Espanha - os "budas", assim chamados - protegidos do Azaña e a organizar em Portugal os republicanos, a gente anti-situacionista do reviralho, como se dizia. Ele regressou a casa um pouco antes da guerra de Espanha, em 1935, depois de uma longa prisão nos Açores. Só nessa altura voltou a ter possibilidade de fazer qualquer coisa. A minha mãe, que era muito solidária e muito dedicada ao meu pai, mas não era uma pessoa que percebesse muito de política, tinha o sentimento campesino de que não se podia viver assim, de empréstimos. Influenciou-o para ele fundar um colégio. Então ele fundou o Colégio Moderno e a vida começou a melhorar. O colégio foi-se desenvolvendo, tendo cada vez maior prestígio e começou a ser lucrativo. E ele pôde pagar as suas dívidas todas e ficámos a viver com um certo desafogo.

Lembra-se da primeira vez que pensou em política, na infância?

Na minha infância não podia deixar de pensar em política. O meu pai estava preso, eu ia vê-lo. Diziam-me: "Tens de tratar o teu pai por senhor Araújo", que era o pseudónimo que ele tinha. Dizia que era um africanista em férias. A polícia não era tão eficiente como foi depois. Tivemos férias em vários sítios com o meu pai na clandestinidade. Lembro-me dessa revolução de 26 de Agosto de 1931, que me marcou bastante. Assisti, ouvi os bombardeamentos. Vivíamos na casa onde eu nasci, na Rua Gomes Freire, ao pé da Polícia Judiciária, mais para o lado do Campo Santana, paredes meias com o Rilhafoles (risos).

Nasceu no Campo Santana?

Nasci, num segundo andar da Rua Gomes Freire, herói do liberalismo. Por baixo vivia a família Moniz Pereira, que foram os meus grandes amigos de infância. O Moniz Pereira, treinador, e o outro que foi coronel das Forças Armadas, saneado na altura do 25 de Abril, injustamente, aliás.

No seu livro, culpa os políticos pelo descrédito da política...

Em parte. Além da propaganda dirigida, ao serviço dos grandes interesses económicos.

A ética republicana deixou de ser praticada à maneira dos republicanos?

Não, não deixou de ser. A maior parte dos políticos é gente séria. Agora, evidentemente, alguns utilizaram a política para interesse próprio. É preciso que os políticos saibam que quem quer ganhar dinheiro não vai para a política, vai para empresas, para onde quiser. Mas não para a política. A política não é para ganhar dinheiro, é para servir os outros. E foi essa sempre a minha maneira de ver e de viver a política.

Critica quem ocupou cargos no governo e depois foi para empresas...

Sim, sobretudo pessoas que fizeram negócios como ministros, para favorecer empresas e depois, no final, foram dirigir essas mesmas empresas! Isso é o pior que pode acontecer.

É o caso do ex-ministro do PS Pina Moura?

Não quero citar casos, mas é um dos casos conhecidos.

Culpa também o sistema mediático por ter vindo prejudicar a política...

O sistema mediático é muito dirigido pelo poder económico. O que eu culpo não é o sistema mediático, o que culpo são os grandes negócios que se fazem e que retiram muita da liberdade e da possibilidade de escrever o que querem aos jornalistas. A situação hoje dos jornalistas é muito difícil. Os grandes jornalistas estão praticamente afastados dos grandes jornais. Fazem outras coisas, ensinam jornalismo. Onde está o Adelino Gomes, onde está o Mário Mesquita, onde estão os grandes jornalistas que apareceram no 25 de Abril? É verdade que hoje é muito difícil ser jornalista.

A administração da TVI suspendeu o "Jornal Nacional" de Manuela Moura Guedes. E a direcção de informação demitiu-se. O senhor não concordava com o "Jornal Nacional", mas acha que a suspensão faz sentido?

Não tenho de concordar ou não. Achava-o demasiado agressivo. Pessoalmente, sempre simpatizei com a Manuela Moura Guedes. Mas a suspensão foi uma decisão da empresa. Não do poder político. Não faço ideia nenhuma do que se passa dentro da empresa. A empresa parece estar mal, ao contrário do que diziam. É pena, mas é assim.

Não acha que pode estar aqui em causa a liberdade de expressão?

É o que vão dizer, com certeza. Mas o que tem a liberdade de expressão a ver com isso? Não foi o governo que suspendeu o noticiário, foram os empresários. Não vamos fazer processos de intenção. Mas num período eleitoral vai haver quem os faça, os que não gostam do governo.

É contra a legalização dos lóbis, acha que também prejudicam a política?

Sou. Os lóbis estão paredes-meias com os paraísos ficais, responsáveis pela crise económica que vivemos e da qual ainda não saímos. Há sintomas de melhoria, mas ainda não saímos da crise. Para sair da crise, é preciso um novo paradigma, não económico, mas político, que possa dizer alguma coisa às pessoas e que se empenhe nas questões sociais e ambientais.

E como é esse novo paradigma?

O Obama definiu isso muito bem, na sua posse e nos discursos que tem feito. É preciso que a economia seja dirigida por Estados fortes que tenham a capacidade de impedir que se façam determinadas negociatas e não deixem à solta os predadores do património de cada uma das nações.

Neste momento, o Obama é o único...?

Não, não é o único! Desencadeou um movimento social e político com um dinamismo extraordinário à sua volta. Acho que começa a haver uma reacção muito positiva mesmo dentro dos partidos socialistas europeus que foram muito colonizados pelo neoliberalismo. Sobretudo, desde Blair e a chamada Terceira Via, que eu sempre considerei muito negativa.

Mas este PS é inspirado no Blair...

Foi. Realmente, ao princípio, em 2004, talvez fosse um pouco inspirado por Blair. Depois, percebeu, com a crise. Como todos os partidos socialistas europeus estão a perceber. Veja o que se está a passar com o SPD na Alemanha, com o PS em França, apesar de todas as dificuldades que eles têm. Mas eu confio na actual líder, Martine Aubry, fiz com ela uma entrevista para a RTP1 muito interessante. Espero que o socialismo europeu dê uma grande volta. Este Brown é melhor que o Blair, mas de qualquer maneira não é um homem ainda capaz de dar a volta. Tem de aparecer um novo líder no Partido Trabalhista inglês. O próprio movimento socialista, a Internacional Socialista e o Partido Socialista Europeu têm de ser refundados. O presidente Sarkozy diz que é preciso refundar o capitalismo e é verdade. Não foi todo o sistema capitalista que falhou! Não queremos voltar a um sistema totalitário, de má memória, em que o Estado tenha todas as alavancas na mão e por essa via não haja liberdade, que haja só funcionários em vez de cidadãos. Não é isso que eu quero! Eu conheço bem o que foi o comunismo, militei contra, apesar de ter sido comunista na minha juventude. Até 1949! Depois, percebi que o comunismo era um "colossal embuste". Quando culpo o comunismo não culpo propriamente Marx, embora ele tenha lá alguns genes que são graves, como a "ditadura do proletariado". Mas culpo Lenine e sobretudo Estaline e todos os que se seguiram. Foram verdadeiros monstros, com os Gulags. Não nos esqueçamos disso! Temos de fazer com que o capitalismo seja um sistema controlado, em que a globalização da economia esteja sujeita a princípios éticos e jurídicos sólidos. Mas para isso é preciso construir um novo paradigma, que está em curso. Obama teve a grande vantagem de ter sido o primeiro a dizê-lo, sendo o presidente de um dos países mais importantes do mundo.

Que conselho daria a um jovem que hoje queira entrar na política?

Ser verdadeiro e coerente com ele próprio. Ter valores morais, ser solidário e um cidadão participativo. Eu tenho uma visão humanista da política.

Regressou agora de férias. O que andou a ler?

O meu amigo Sousa Tavares mandou-me o último romance dele. Li-o e gosto dos livros do Sousa Tavares. Houve muitos intelectuais que acharam que o livro era fraco em relação aos outros... Não considero isso. Lê-se muito bem e é interessante. Mas o que li fundamentalmente, este Verão, foram livros para ajudar a elaborar o meu próximo livro, que se vai chamar "Um Político Assume-se". Ainda não estou se não a meio, quando saí do Partido Comunista! Este livro tem como subtítulo "Ensaio Autobiográfico Político-Ideológico". Não vou falar da minha vida, vou falar das razões pelas quais fiz as minhas escolhas políticas e ideológicas. É nisso que estou a trabalhar.

Não faz as memórias, mas faz um testemunho político...

É o meu testemunho político-ideológico. Não escrevo memórias, porque estou voltado para o futuro e não para o passado...

Vai participar nesta campanha eleitoral?

Não, dou as minhas opiniões, mas mais nada do que isso. Não quero fazer política partidária. Já passou essa fase, para mim.

Tem a certeza de que o PS vai ganhar as eleições ou está na dúvida?

Ninguém pode ter a certeza, o próprio Sócrates não tem a certeza. Mas tem condições e está a lutar por isso com determinação. Não espero que o Partido Socialista possa ter a maioria absoluta. Há uma coisa má para José Sócrates. E injustamente. Por uma razão ou outra, muita gente está indisposta com ele, o que é estranhíssimo, mas é assim. Mas, a meu ver, o que conta é o futuro, nestas eleições. Dar a vitória à direita - por ser contra o PS - é um erro que a esquerda pagará muito caro.

Por que razão acha que isto aconteceu?

A luta entre o Bloco e o PCP. Cada um deles quer estar mais à esquerda do que o outro e para isso têm de atacar o Partido Socialista. Mas isto vai passar no dia a seguir as eleições. Espero. Se eles tiverem de se haver com um governo de Ferreira Leite, vai ser duro para todos.

O PS cometeu erros que levaram a esta situação?

O próprio Sócrates reconheceu que cometeu erros. Todos os políticos cometem erros. Mas fez muitas coisas, com muita coragem e determinação. É um homem sincero, que acredita naquilo que está a fazer, que tem vis política realmente. Tem sido atacado, como ninguém foi, neste país, antes dele.

Os resultados eleitorais são uma incógnita...

Acredito no bom senso do povo português. Tem revelado ter muito bom senso, mesmo quando me fez perder algumas eleições (risos).

Acha que é possível repetir a experiência do bloco central?

Não, neste momento não tem sentido nenhum. Agora, se o eleitorado der, e eu acho que não vai dar, uma vitória ao PSD, isso levar-nos-á a um descalabro que vai custar muito caro ao país e à esquerda em particular.

Uma vitória do PSD poderia abrir uma crise?

Abria uma crise violenta. Toda a esquerda, que é sociologicamente maioritária, estaria a manifestar-se contra o governo. É estranho que um país que tem 55 ou 60 por cento de maioria de esquerda possa ser governado pela direita, que é minoritária, mesmo que ganhasse neste momento as eleições.

Enquanto Presidente da República alguma vez se sentiu escutado?

Não, nunca me senti escutado.

Saíram umas notícias recentes, vindas de Belém, que sugerem suspeitas de escutas...

Já sei, mas não vou entrar por aí. Isso é baixa política, desculpará. Pode ser justo criticar o governo, pode ser justo dizer que o governo é mais arrogante ou menos arrogante, mais dialogante ou menos dialogante, mas não se pode dizer que o governo está a asfixiar a democracia portuguesa! Isto só pode ser dito por quem nunca viveu em ditadura, ou não sabe o que foi a ditadura, a Polícia Política, a censura, as perseguições e o livre-arbítrio. Mas a verdade é que hoje todos podem dizer o que quiserem. Com perfeita impunidade. Dizem que não há liberdade em Portugal? É fácil. Em ditadura nunca o fariam, nem os que têm idade para isso o fizeram.... Será que é preciso passar seis meses sem democracia, em Portugal, para melhorar a situação? Foi assim que Salazar começou e ficou no poder 48 anos! Cuidado! Quem for dessa opinião não é inocente.


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