Opinião

Culpados

por André Macedo, Publicado em 04 de Setembro de 2009   
Opções
a- / a+

A principal responsabilidade de uma direcção de informação é dizer "não". Não publicamos essa notícia, não está sustentado, não ouvimos pessoas suficientes, não me parece equilibrado, não vamos dar voz a essa fonte, não publicamos opiniões anónimas, não fazemos processos de intenção. Ou seja, exigir, pedir mais edição, mais informação, mais rigor, mais esforço, mais trabalho, mais bom senso, mais independência.

Não há independência sem uma administração e um accionista fortes. Fortes e dispostos a aguentar a pressão dos interesses, legítimos e ilegítimos, que procuram participar, baralhar e interferir na informação que se publica.

As figueiras dão figos, não dão bananas. Os sujeitos das notícias - das más notícias -, nunca ficam contentes. É natural que reajam, protestem e, se tiverem razão, processem quem errou por incompetência ou má-fé. Não é natural que pressionem as administrações e os accionistas. E que os levem a interferir editorialmente, a despedir jornalistas ou a cancelar programas. Acontece em Portugal? Acontece e com todos os partidos. Acontece aqui e em todo o mundo. Mas aqui, como a escala é mais paroquial, a atmosfera apodrece mais depressa. Rapidamente se instala uma sensação de claustrofobia. É por isso que Sócrates nunca deveria ter aberto a guerra que abriu contra Moura Guedes e Eduardo Moniz. Mesmo que parte das notícias exibidas fosse de má qualidade jornalística. Os telespectadores que julgassem.
Um primeiro-ministro governa um país, não edita informação. Se não tem estômago para aguentar, mude de emprego ou encontre maneira de se controlar.

Porque uma simples palavra de desagrado do chefe de governo às pessoas erradas (e com poder) pode desencadear uma série de acontecimentos trágicos. Foi o que aconteceu na TVI? Não há factos que o provem. No entanto, a administração do canal errou ao cancelar o programa em cima da hora. Poderia tê-lo feito há um mês, antes de haver trabalho jornalístico pronto a exibir. Ao fazê-lo assim, deu cobertura a todas as especulações e à vitimização. Nesta história, não há inocentes. Há muito tempo que a televisão não é a preto e branco. Director-adjunto



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close