O grupo espanhol Prisa, que adquiriu a Media Capital em 2005 e pretende agora vendê-la, tem visto alguns dos seus negócios envolvidos em polémica, com acusações de estar demasiado ligado ao governo espanhol.
Em Julho de 2005 a Prisa, o maior grupo de comunicação social espanhol, que detém o El País, a rádio cadena SER e o canal de televisão Cuatro, tornou-se o accionista principal da portuguesa Media Capital, entrando deste modo na TVI.
Na altura o líder do PSD, Marques Mendes, acusou os governos português e espanhol de cumplicidade no negócio com a espanhola, lembrando a ligação do grupo ao PSOE.
O ministro dos Assuntos Parlamentares saiu em defesa do Governo, negando que este tenha autorizado a venda da TVI e considerando as acusações do líder do PSD como "insultuosas".
Também o ex-administrador da TVI da altura, João van Zeller, reforçou perante a entidade reguladora dos media a acusação de "cumplicidade política" dos governos socialistas português e espanhol durante o processo negocial entre a Media Capital e a Prisa.
Em Outubro de 2006, a Prisa lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital, passando a controlar o grupo.
Em Abril do ano seguinte, Joaquim Pina Moura anuncia que deixou o lugar de deputado e todos os cargos no PS para integrar a administração da Media Capital, como presidente com funções não executivas, em substituição de Miguel Pais do Amaral, que deixou a empresa.
Novamente o PSD surge a considerar "um descaramento total" a nomeação do ex-ministro socialista Pina Moura para presidente da TVI e uma prova do projecto político do PS de "tomada de controlo" do canal de televisão, acusações de Pina Moura refuta.
No final de 2008, a Prisa começa a ver-se a braços com uma situação financeira delicada e propõe cortar 5 por cento das despesas correntes, suspender o pagamento de dividendos e congelar os salários de executivos em 2009 para enfrentar a dívida e a queda das receitas.
Dois meses depois, em Fevereiro de 2009, Pina Moura apresenta a demissão, alegando razões de natureza profissional.
Entretanto, a Prisa consegue 'in extremis' negociar com os seus credores o adiamento por um ano de um "crédito ponte" de 1.950 milhões de euros, comprometendo-se a reforçar o capital da empresa e a reestruturar o financiamento a três anos, e anuncia a intenção de despedir até até 2.000 trabalhadores em todo o mundo até ao final do ano.
No âmbito das medidas para enfrentar a crise, a Prisa anuncia em Junho deste ano a intenção de vender 30 por cento da Media Capital.
A quase concretização deste negócio com a Portugal Telecom acabou por ser inviabilizada pela polémica lançada à volta do assunto.
A Cofina e o grupo Ongoing anunciam entretanto o seu interesse em comprar participações maioritárias na Media Capital, mas, até ao momento, nada foi anunciado.
A 05 de Agosto deste ano, José Eduardo Moniz sai do canal que tornou líder de audiências para ocupar o lugar de vice-presidente da Ongoing, deixando no seu lugar Bernardo Bairrão, e mantendo-se João Maia Abreu como director de informação e Mário Moura e Manuela Moura Guedes como subdirectores.
AL.
Lusa/Fim




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