hulda
Quem anda no mar, aprende a rezar... E a criar
por Diana Garrido, Publicado em 04 de Setembro de 2009
O veleiro Hulda atracou na marina do Parque das Nações com uma exposição a bordo do artista turco-sueco Ílhan Koman. O i visitou a embarcação
É uma exposição nunca antes vista: peças de arte num veleiro de 1905, de seu nome Hulda, atracado na marina do Parque das Nações, em Lisboa. Lá dentro, uma mostra de obras de arte científicas, ao estilo Leonardo da Vinci, do artista turco-sueco Ílhan Koman (1921-1986).
Mas este barco tem muito que se lhe diga. Além de ter sido a casa de Koman a partir de 1965 e durante 20 anos, o veleiro funciona agora como um museu itinerante, nas mãos de Ahmet Koman, comandante do Hulda e filho mais velho de Ílhan.
O objectivo é correr uma série de países, com a exposição às costas, e "levar o museu às pessoas". A expedição, que andará dois anos em alto mar, está dentro de água desde Março e Portugal é o quinto país a recebê- -la. Hulda saiu de Estocolmo, parou em Amesterdão, Antuérpia, Bordéus e de Lisboa segue para Barcelona, Nápoles, Valetta, Salónica e finalmente Istambul, em 2010, terra natal de Koman.
A ideia de viver num barco é explicada por Ahmet, entre risos e com um encolher de ombros: "O meu pai precisava de um sítio para viver, porque a renda da casa era muito cara. como gostava muito de barcos..."
Ahmet nunca viveu na embarcação com o pai, mas está preparado para permanecer no Hulda durante dois anos, ainda que com algumas interrupções: "Estamos a pensar passar o Inverno em Istambul, para evitar o mau tempo em alto mar."
O artista Koman queria ser engenheiro náutico, mas o destino - e os pais - fizeram com que fosse parar à Academia de Belas-Artes de Istambul, dedicando-se à escultura. Depois, é a história do costume: lançou- -se no mundo, passou por Paris, Bruxelas e mudou-se para Estocolmo, onde deu aulas na Escola Sueca de Artes e permaneceu até à data da morte. O seu trabalho pode ser visto um pouco por todo o mundo, incluindo no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Koman dedicou-se à combinação de arte e ciência, tornando-se num representante da abordagem de Da Vinci.
As peças em exposição, além de terem sido criadas no navio e de representarem elementos do oceano, brincam com o equilíbrio e proporções, numa harmonia entre arte, matemática e engenharia. Segundo Ahmet "a ciência e a arte sempre estiveram relacionadas, as pessoas é que se esquecem disso".
Desde ilusões de óptica, até mecanismos eléctricos, a bordo do Hula há de tudo. E se não acredita que a ciência pode ser artística, dê um salto à marina do Parque das Nações. A exposição, além de ser grátis, está patente até dia 13.
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