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Debandada no BPP: quase um terço dos trabalhadores saíram

Publicado em 02 de Setembro de 2009   
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O Banco Privado Português (BPP) viu sair 60 funcionários desde que a instituição foi intervencionada pelo Banco de Portugal, ou seja, 30 por cento dos 200 que tinha em Novembro de 2008, contando neste momento com 140 trabalhadores.

"Se as saídas se mantiverem a este ritmo, o BPP arrisca-se a chegar ao fim do ano com metade [100] dos funcionários que tinha há 10 meses", disse à agência Lusa Miguel Trindade, representante dos colaboradores do banco.

Segundo o responsável, esta situação poderá levar "à incapacidade do banco dar resposta" às actividades bancárias que mantém, que ocupam dois terços do total dos funcionários, ao passo que as actividades comerciais - que se encontram paralisadas por ordem do Banco de Portugal - ocupam um terço dos trabalhadores.

"Há pessoas a assegurarem mais do que uma área, muitas delas sem a necessária formação e sem que ninguém [dos colaboradores que saíram] lhes tenha passado conhecimento sobre as questões, como é normal quando há alterações numa estrutura", referiu o representante dos colaboradores do BPP.

O cenário de uma falência faz aumentar os níveis de ansiedade dos trabalhadores do banco, que "na primeira oportunidade vão-se embora" e não são substituídos porque "neste momento, ninguém quer ir trabalhar para o BPP", o que poderá levar a que o banco, "mesmo que seja saneado, não tenha na altura da resolução um número suficiente de funcionários para operar".

Miguel Pereira da Trindande assegurou que as acusações de que os colaboradores do banco fundado por João Rendeiro vendia "gato por lebre" [produtos de retorno absoluto com garantia de capital] não são justas e disse que prova disso é o facto de muitos colaboradores terem subscrito este tipo de produtos.

"Muitos de nós temos as contas lá congeladas. Não houve qualquer ganância, como se diz por aí, já que os produtos de retorno absoluto ofereciam no segundo semestre de 2008 taxas entre os 4,5 por cento e os 5 por cento", assegurou Miguel Trindade, funcionário da direcção de mercados do BPP.

Quanto à permanência da administração liderada por Adão da Fonseca, o responsável considerou que os gestores designados pelo Banco de Portugal "não queriam ser uma comissão liquidatária e ficam para ver as obrigações do banco resolvidas".

"O BPP pode ser saneado e recuperado. Haverá culpados na gestão anterior, os factos vão ser apurados", sublinhou, acrescentando que "a crise dos mercados foi a grande responsável pela actual situação do banco".

Miguel Trindade revelou ainda à Lusa que as autoridades - Banco de Portugal e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - "têm gabinetes próprios no BPP" para desenvolverem as suas actividades e que "investigadores da Polícia Judiciária (PJ) vão com grande frequência ao banco, uma vez que fazem a instrução dos processos e procuram averiguar muitos factos".



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