Ténis
Censura chega ao US Open mas apenas para os tenistas
por Rui Catalão, Publicado em 02 de Setembro de 2009
Quem divulgar informações sobre jogos, lesões e adversários no Twitter ou Facebook arrisca-se a ser banido do circuito.
Caótico e barulhento são dois dos adjectivos que melhor caracterizam o US Open. Ao longo dos 15 dias do Grand Slam norte-americano é possível ver de tudo, desde barracas de fast food cheias de gente a autênticas comissões de festas nas bancadas - com direito a piropos às mulheres bonitas e insultos bizarros aos tenistas menos simpáticos ou competentes. Isto já para não falar do ruído dos aviões, que sobrevoam com frequência os céus de Flushing Meadows. Mas este ano é preciso juntar um outro qualificativo: controlador.
A polícia está por todo o lado, com batalhões e carrinhas, e a Unidade para a Integridade do Ténis espalhou avisos aos tenistas em vários pontos do complexo: "Importante para os jogadores. Cuidado com o Twitter." Segue-se um texto a saudar a relação de proximidade que os tenistas cultivam com os fãs, sempre pontuado com alertas para os perigos da rede social dos 140 caracteres. O mesmo se aplica ao Facebook. As autoridades temem que as informações partilhadas pelos tenistas - sobre lesões ou momentos de forma - possam ajudar a gerar fortunas nas casas de apostas.
A palavra "proibido" é evitada ao máximo, mas a verdade é que se vive um clima de tensão entre os tenistas, sobretudo os que fazem do Twitter uma ferramenta do dia-a-dia. É o caso de Serena Williams - tem quase um milhão de seguidores - e Andy Roddick (100 mil). Coincidência ou não, o número de mensagens tem vindo a diminuir e são poucos os que já comunicaram com os fãs desde que a competição começou. Acima de tudo, ninguém quer correr riscos. Qualquer incumprimento pode ter um preço elevado: uma multa de cerca de 200 mil euros e a expulsão vitalícia dos courts.
Tabu As apostas no ténis são um tema delicado. As suspeitas existem e há uma lista de nomes do circuito que estão sob investigação. Há quem se limite a apostar de forma descomprometida (embora isso seja proibido a quem compete a nível profissional), mas as maiores desconfianças recaem sobre tenistas que possam perder deliberadamente para lucrar com esses investimentos.
Caso Nikolay Davydenko, n.º 8 do ranking ATP, esteve envolvido num escândalo há dois anos, quando desistiu de um encontro frente ao argentino Martin Vassallo-Argüello. O russo começou por vencer o primeiro set, por 6-2, mas depois disso houve um fluxo anormal de apostas na vitória do adversário. Davydenko cedeu o segundo set (3-6) e abandonou o encontro no início do derradeiro parcial. Ainda assim, não foi provado que o tenista de 28 anos perdeu de propósito ou que integrava algum esquema de apostas.
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