Benfica

Benfica. Uma equipa e um goleador em serviço completo

Publicado em 02 de Setembro de 2009   
Defesas, médios, avançados, todos marcam, de todas as formas, Cardozo incluído. Mas que goleada é esta? Quique e Jesualdo também foram às nuvens
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Não foi o golo mais rápido da história do futebol (dois segundos e meio, um tal de Marc Burrows, amador inglês) mas em 2006, num jogo contra o Quilmes, no campeonato argentino, Cardozo (Newell's) marcou logo aos 12 segundos. Foi assim que iniciou o seu último hat trick, uma faena que repetiu agora por entre a goleada de 8-1 ao Vitória de Setúbal. De pé, de cabeça, de bola parada ou corrida, os golos de Cardozo e do Benfica surgiram como um serviço completo de uma equipa que esgotou praticamente todos os caminhos para a baliza. Faltou o guarda-redes? Sim, porque no Benfica já não há nenhum sector em branco.

Ninguém vai conseguir definir ao segundo onde começou o mérito da equipa de Jorge Jesus e o demérito dos jogadores de Carlos Azenha. Os oito golos marcados provam o valor de uma equipa? Ou a diferença entre as duas? E o Benfica é mais candidato depois daquele ritmo diabólico que o próprio Jesus identificou? Não se sabe. "É um resultado robusto, não sei se o Benfica vai ter mais algum jogo em que marque oito golos", disse o treinador do Benfica, realista. Sabe-se apenas que os encarnados seguem na sua média de remates na Liga (17,18) e têm nesta altura vários jogadores com capacidade de finalização, como há muito não se via: Cardozo parece na melhor fase (apesar dos penáltis falhados, que lhe dariam a liderança da tabela dos goleadores), Aimar consegue finalmente chegar à baliza e gigantes como Luisão ou Javi García beneficiam do volume de jogo ofensivo que lhes permite subir para finalizar. Entre os avançados, Keirrison é o único utilizado que não marcou. Depois falta ainda Mantorras mas esse continua dependente das oportunidades de Jesus e do seu joelho direito.

Exemplo O Benfica de Quique Flores ganhou 6-0 frente ao Marítimo, no Estádio dos Barreiros, na época passada. E o de Jesualdo Ferreira, em 2002, goleou o Paços de Ferreira 7-0 no Estádio da Luz. O que deixaram essas equipas? Poucos títulos, nenhumas saudades. Em 1993/94, quando as águias marcaram pela última vez oito golos num jogo (Famalicão, na Luz, sem direito a qualquer tento de honra), a equipa encarnada acabou por sagrar-se campeã. Deve ser daí - de Toni, dos golos de Rui Costa, Yuran, Mozer ou Rui Águas - que Jorge Jesus quer retirar o exemplo.

Em 1982/83, quando surgiu o último 8-1 (Alcobaça, mais uma vez na Luz), o Benfica de Eriksson alimentava-se dos golos de Nené (cinco), Chalana ou Diamantino. Era Maio e quatro dias depois a equipa lembrava às pessoas a sua qualidade, com a chegada à final da Taça UEFA. Agora, ao final da terceira jornada, segue-se a paragem. A Liga é interrompida para os compromissos da selecção e o Benfica adia o teste ao valor da goleada. Até à próxima jornada, com o Belenenses, a equipa sai do país para jogar, hoje, frente ao Celtic de Glasgow em Toronto.


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