Entrevista
Paulo Portas: "O bloco central é uma coligação de aflitos"
Publicado em 01 de Setembro de 2009
Paulo Portas diz ao i que "um dos grandes problemas do país é ter centrão a mais e escolha a menos"
Qual é a mensagem essencial do programa eleitoral do CDS?
O essencial é que há respostas: é possível pôr a economia a crescer, defender o emprego, aumentar a produtividade e o nível salarial, ter um serviço de saúde que responda a mais doentes e mais depressa e é possível ter uma sociedade mais segura sem precisarmos de uma sociedade policial. E é um programa que tem uma vantagem: quando propomos uma despesa a mais, dizemos onde vamos buscar o dinheiro; e se propomos algo que pode gerar receita a menos, dizemos onde vamos compensar.
As Pequenas e Médias Empresas (PME) estão no centro da política económica do CDS. Mas isso também consta nos programas do PS e PSD. Onde se distingue o CDS?
Distingue-se pela coerência. Não é o facto de alguns partidos falarem agora de PME que apaga o facto de ter sido o CDS o partido que as defendeu nos últimos quatro anos. Depois, as nossas propostas são mais focadas, porque comprometemo-nos com aquilo que é possível fazer e dizemos exactamente o quê. Dou-lhe o exemplo do regime do pagamento das dívidas do Estado: o Estado só pagará a horas quando o Estado tiver de pagar juros como o cidadão paga quando se atrasa no fisco ou na segurança social.
O CDS também propõe o reembolso do IVA a 30 dias. Isso é exequível?
Não me digam que é impossível, porque em Espanha é possível. A eficiência da máquina fiscal não pode ser só para fazer penhoras, também tem de ser para pagar a horas.
O desemprego também é uma questão central em todos os programas.
Mas a questão central é perceber que é nas empresas que se defendem os empregos. Não é o discurso do líder do BE, do PCP ou de qualquer outro líder que cria empregos. Nós estamos com um problema que vai acentuar-se em Setembro que é o das empresas que abrem falência. Mas problema maior ainda é que não há empresas suficientes a nascer.
O que é que espera da campanha que agora arranca?
Eu vou falar de ideias. As pessoas sabem o estado em que o país ficou nestes quatro anos, com mais emprego e menos impostos, mais criminalidade e mais injustiça, menos autoridade dos professores e menos produtividade, menos exportações e dependemos mais do exterior, mais endividamento e menos crescimento... Portanto, a questão é saber por onde devemos começar para ter uma política diferente e eu vou focar-me nas propostas do CDS.
O que lhe parece o Bloco Central?
O bloco central é uma coligação de aflitos. Registo que haja gente do PS e do PSD a insinuar o bloco central, mas eu acho que um dos grandes problemas do país é ter centrão a mais e escolha a menos. Se as pessoas acham que a solução para os problemas do país é ter ainda mais centrão, pois eu respondo que isso é uma solução de aflitos e de interesses.
O CDS está a trabalhar para voltar ao governo?
O CDS está a trabalhar para crescer. Para ser governo é preciso saber merecer os votos e honrá-los. E tenho a certeza absoluta que se o CDS não crescer os impostos ficam na mesma, a agricultura não é valorizada, os professores continuam sem autoridade, a criminalidade não é combatida, as pensões perdem poder de compra e a supervisão bancária fica na mesma.
E há receptividade do PSD para uma coligação com o CDS?
Nunca dou respostas que admitam a vitória daqueles com quem concorro. Eu acho que a página de José Sócrates tem de ser virada. Mas quanto ao PSD temos muitas diferenças programáticas. E essas diferenças vão a votos no dia 27 de Setembro. Eu sei o que é dar estabilidade, mas isso não significa obsessão em voltar ao governo.
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